Entrevistas

Ricardo Elias e uma história de "uma classe média comum"

Publicado em 03/10/18 às 15h39

Foto: Aline Lata/Divulgação
 
Por Alysson Oliveira
Mare Nostrum, novo filme do diretor Ricardo Elias (Os 12 trabalhos), parte de um incidente que aconteceu com sua família. “Meu pai tinha um terreno e, quando tentamos vender o imóvel, ele ainda estava no nome do antigo dono”, disse em entrevista ao Cineweb. A disputa pela posse de um terreno na Praia Grande, no litoral paulista, serve como o pano de fundo para “contar uma historia sobre a classe média comum, suas pequenas dificuldades e anseios.”
 
O protagonista do filme é interpretado por Silvio Guindane, que já trabalhara com Elias no filme de estreia do diretor, De passagem (2003). Ele é um jornalista esportivo que volta ao Brasil depois de uma temporada na Espanha, onde não conseguiu firmar sua carreira. Ao chegar ao país, descobre que está com dívidas – especialmente a escola de sua filha, Beatriz (Lívia Santos). Ao descobrir que o pai (Ailton Graça) ainda tinha um terreno na praia, a possibilidade de sua venda é uma possibilidade de conseguir o dinheiro para saldar a dívida.
 
Na prefeitura da Praia Grande, porém, descobre que o terreno ainda está no nome do antigo dono, um japonês idoso. Para regularizar a situação, negocia com o filho dele (Ricardo Oshiro), que pede R$ 20 mil – um dinheiro que o ajudará a comprar um computador e trabalhar. Antes de realizar a transação, porém, precisam encontrar o papel em que os pais dos dois rapazes, anos atrás, assinaram o compromisso de compra e venda. Para isso, os dois visitam as ex-mulheres do pai do protagonista.
Enquanto isso, no entanto, Beatriz descobre que o terreno tem o poder de transformar tudo aquilo que se pede nele em realidade. Combinando fantasia e realidade, o filme aborda a classe média contemporânea. “Nós trabalhamos o elemento mágico com discrição, era importante que ele não fosse superlativo e nem muito chamativo. Ao mesmo tempo as questões cotidianas como dívidas, falta de dinheiro, ausência paterna. Tudo isso também tem uma importância enorme na condução da história”, explica o diretor.

O terceiro longa de Elias retoma sua parceria com Guindane, que protagonizou seu primeiro longa De passagem, premiado em Gramado. “Eu ainda não tinha o protagonista do filme, num telefonema sobre outros assuntos ele me disse que ia fazer o filme e eu disse, 'então tá'. E quando ele entrou no filme, vários aspectos do roteiro foram melhorando.”

Outro elemento forte no longa é o futebol. Não só o protagonista é um jornalista especializado no esporte, como também, há anos, planeja um livro sobre um jogador esquecido chamado Zé Carlos, mas o projeto nunca avança porque os filhos dele não estão seguros se querem uma biografia sobre o pai. “Quando escolhemos a profissão da personagem do Silvio como jornalista esportivo o futebol foi se somando ao filme e acabou virando um elemento de ligação pai/filho, além de pontuar historicamente o momento inicial da história.”

Atualmente, o diretor trabalha em seu novo longa, que deverá chamar-se Full night. “O roteiro já está pronto. A história se passará na boate que dá nome ao filme, que conta a trajetória de cinco personagens dessa casa noturna antes de ela abrir.”

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