Festival de Brasília 2015

"Prova de Coragem" encerra competição em Brasília

Neusa Barbosa, de Brasília

 Último longa concorrente em Brasília, a produção gaúcha Prova de Coragem, de Roberto Gervitz, partiu do romance Mãos de Cavalo, de Daniel Galera, transformando bastante a história para tornar-se uma discussão sobre a crise pessoal de um homem maduro, o médico Hermano (Armando Babaioff).
 
Extremamente bem-produzido do ponto de vista técnico (direção de arte, fotografia, som, montagem), o filme não mantém o mesmo equilíbrio na composição dos dilemas centrais do protagonista, especialmente no que se desenha como uma grande culpa do passado, envolvendo omissões na morte de um amigo. Nesses flashbacks de sua vida adolescente, no entanto, o filme tem uma energia diferente e melhor. Na vida adulta de Hermano é que a tensão dramática não se desenrola com tanta força, inclusive em sua crise amorosa com a companheira que decide engravidar de forma um tanto intempestiva (Mariana Ximenes).
 
 A personagem de Mariana, aliás, é bastante problemática, mostrando-se como uma figura agressiva, negativa de um modo quase maniqueísta e, o que é pior, interpretada sempre acima do tom. Isto abala um bocado a “química de casal”, que não se manifesta a contento, nem mesmo antes dos momentos de ruptura.
 
Encerrou-se, assim, a competição da 48ª edição, que mostrou seus pontos altos em longas em Big Jato, do veterano diretor pernambucano Cláudio Assis, e Para minha amada morta, do estreante em ficção Aly Muritiba (PR). Nesses dois longas, revelou-se o melhor do festival 2015 e deles deveriam sair, em tese, a maioria das premiações, que serão anunciadas na noite desta terça (22).
 
Curtas
 
Foram bastante bons os dois últimos curtas concorrentes nesta seção. Caso do gaúcho O Corpo, de Lucas Cassales, com excelente roteiro, direção e clima, estrelado também por Cesar Troncoso, aqui numa chave mais sinistra.
 
O outro curta foi O Sinaleiro, de Daniel Augusto (SP), uma adaptação bastante enxuta e intensa do conto homônimo do autor inglês Charles Dickens, acompanhando as obsessões de um velho (Fernando Teixeira), solitário vigia de uma linha de trem remota e desolada.

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