Festival de Brasília 2015

Documentário recorda figura do compositor Cláudio Santoro

Neusa Barbosa

 A noite de domingo (20) não reservou maiores surpresas, já na reta final da 48ª edição do Festival de Brasília. A exibição do documentário Santoro – O Homem e sua Música, de John Howard Szerman, teve o mérito de resgatar a figura do maestro e compositor Cláudio Santoro (1919-1989), dentro de um registro correto, mas bastante convencional.
 
Santoro, é claro, merece todos os esforços para que seja lembrada sua obra, que alcança cerca de 600 composições, percorrendo desde o serialismo e dodecafonismo, até o sinfonismo, modalidade em que deixou 14 obras de fôlego e sensibilidade elogiadas. O filme recorda sua militância esquerdista, que lhe valeu perseguições e exílios, que nunca tiveram o poder de desanimá-lo do apego ao Brasil, para onde sempre voltou. Em Brasília, inclusive, foi o criador do departamento de música da Unb e, merecidamente, empresta seu nome ao Teatro Nacional da capital do país.
 
Ouvindo diversos de seus alunos e admiradores, além de contemporâneos como Edino Krieger, o documentário deixa de lado depoimentos de críticos e analistas que poderiam, por exemplo, comparar a obra de Santoro a outros compositores brasileiros, como Heitor Villa-Lobos, e inclusive estrangeiros. Esta timidez na proposta do filme impede que voe mais longe, embora forneça uma amostra considerável dos talentos do compositor.
 
Encerrando a competição, nesta noite de segunda (21), serão apresentados o drama Prova de Coragem, de Roberto Gervitz, e os curtas O Sinaleiro, de Daniel Augusto (SP), e O Corpo, de Lucas Cassales (RS). As premiações serão divulgadas na noite de terça (22).
 
Curtas
 
Os curtas do domingo foram a produção sul-matogrossense A outra margem, de Nathália Tereza, que acompanha a jornada noturna de um agroboy solitário pela noite campo-grandense, e História de uma pena, de Leonardo Mouramateus (CE) – um bom exercício de direção e criatividade formal, ao retratar a situação de um professor substituto (o também diretor Caetano Gotardo) e os conflitos dos alunos adolescentes de sua classe. No elenco, destaca-se o ator pernambucano Jesuíta Barbosa, já visto em filmes como Tatuagem, de Hilton Lacerda, e Praia do Futuro, de Karim Aïnouz.

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