Comédia uruguaia "Clever" vence Cine Ceará

Comédia uruguaia "Clever" encerra mostra competitiva no Cine Ceará

Neusa Barbosa, de Fortaleza

 Fortaleza – Com o longa uruguaio Clever, uma comédia peculiar, encerrou-se a mostra competitiva do 26º Cine Ceará, nesta noite de terça (21) – a premiação será nesta noite de quarta, a partir das 20h, no Cine São Luiz.
Dirigido pelos estreantes Federico Borgia e Guillermo Madero, o longa acompanha a acidentada trajetória do personagem-título (Hugo Piccinini), um homem divorciado, aficionado por artes marciais – seu ídolo, naturalmente, é Bruce Lee e não por acaso seu filho, de 10 anos, chama-se Bruce.
Ancorado neste personagem lacônico, um retrato vivo de uma certa inadequação e imaturidade tipicamente masculinas – ele vive nesse mundinho de lutas marciais e automóveis antigos, como seu Chevette “tubarão”, como um adolescente -, o filme evolui em torno de situações no limite do bizarro, desenvolvendo um humor típico do cinema uruguaio, como se viu no genial Whisky (de quem este filme é inegavelmente devedor).
 
 A grande aventura de Clever começa quando seu filho vê um automóvel todo pintado com ostensivas chamas. A partir daí, Clever fica obcecado para encontrar o artista que o decorou, o que o leva a Las Palmas – um lugar decadente, em que o único bar é ocupado permanentemente por homens cuja única atividade visível é chupar picolés de vinho tinto, a especialidade local. Entre eles, Horacio Camandule, o inesquecível protagonista de Gigante.
Mostrando-se mais um bom trabalho do singular minimalismo uruguaio, o filme revela-se um saboroso, bem como uma agridoce síntese do pequeno país vizinho, criando um humor cínico em que o não-verbal é tão ou mais importante do que os diálogos. E com um tempero à la Buster Keaton impregnando este solitário pretendente a ninja incapaz de comunicar-se com as mulheres.
 
Juventude
Dos quatro curtas da noite final, pelo menos três retrataram, em estilos diversos, sentimentos e pulsões de jovens. O primeiro e talvez mais bem-realizado deles, o cearense A festa e os cães, de Leonardo Mouramateus (História de uma pena), construído a partir de fotografias feitas em máquina analógica, dando conta de um período de convivência, festas e sensações, na véspera de uma grande mudança na vida do cineasta.
Carruagem Rajante, de Livia de Paiva e Jorge Polo (RJ), já enveredou por uma seara mais fantástica, criando um clima de filme de terror do cinema mudo. E Da Janela para a Consolação, do cearense radicado em São Paulo Dellani Lima, segue o olhar de um homem (o músico cearense Daniel Groove) pela janela de seu apartamento em São Paulo, de onde observa as manifestações de jovens que explodem nas ruas da metrópole e dialoga com sua musa (Elisa Porto).
O último curta, o mineiro Solon, da mineira Clarissa Campolina, compõe um clima de ficção científica, num cenário externo quase lunar, em que se misturam elementos como pedras, areia, fumaça, água e fogo e se expressam os movimentos de uma estranha criatura, que parece um extraterrestre (Tana Guimarães, que foi também a idealizadora da coreografia).

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