Repescagem exibe 29 filmes da seleção da Mostra

Olivier Assayas e seus filmes como um processo de descoberta do mundo

Alysson Oliveira

Wasp Network, filme de abertura da Mostra, é, de certa forma, uma novidade na carreira do francês Olivier Assayas, mais conhecidos por seus dramas intimistas – como os recente Vidas duplas e As horas de verão. Aqui, tem-se um thriller de aspirações épicas com uma dezena de personagens centrais lidando com um momento histórico: a Guerra Fria, nos anos de 1980. Baseado no livro Os últimos soldados da Guerra Fria, do brasileiro Fernando Morais, o longa, segundo o cineasta, reverbera muito com o presente, mesmo falando do passado.
 
Veja as dicas da programação da Mostra no fim de semana
 
“Adoro fazer filmes sobre coisas pequenas da vida francesa, sobre elementos de nossa cultura e relações familiares. Mas também gosto de fazer filmes sobre a história moderna. Para mim, fazer filmes é um processo de descoberta”, disse o cineasta em entrevista ao Cineweb, em São Paulo, onde participa da Mostra, além de acompanhar sessões da retrospectiva de sua obra e de vir receber o Prêmio Leon Cakoff.
 
Fazer Wasp Network – ainda sem título em português e data de estreia confirmada no Brasil - foi um processo de descoberta e loucura para Assayas.“Foi uma ideia doida do Rodrigo [Teixeira, produtor brasileiro do filme]. Ele se meteu em algo muito complexo e eu fui junto”, conta, rindo. “O que me empolgou foi a oportunidade de fazer um filme em espanhol, filmar no Caribe, filmar em Cuba. Tive de fazer muita pesquisa, uma imersão naquela cultura.” E ele acredita que fazer um longa como Wasp Network é avançar na sua compreensão de mundo.
 
O longa acompanha um grupo de cubanos que fogem para Miami, onde são recrutados por organizações anticastristas. Num primeiro momento, eles parece estar contra o regime comunista, mas aos poucos, a verdade se revela outra. “É importante, num momento como esse, me interessa mostrar que o mundo é complexo, que não se reduz a partidos políticos. Ao lidar com a Guerra Fria, você está lidando com um momento histórico que nos definiu. As pessoas pensam que a Guerra Fria acabou com a queda da União Soviética, mas as forças históricas daquele momento foram amplificadas hoje, pela internet, por mídias sociais.”
 
Assayas aponta que a disseminação da propaganda ideológica – para qualquer lado do espectro – nunca foi tão fácil. “Vivemos num período do poder da propaganda. E as pessoas são muito ingênuas em achar que aquilo tudo [as disputas da Guerra Fria] ficaram para trás. De certa maneira, o mundo é mais perigoso hoje, especialmente por conta da amizade de Donald Trump com Vladimir Putin.”
 
Um cineasta privilegiado
 
Assayas confessa se sentir como um pai de seus filhos e reluta em escolher apenas um ou alguns filmes mais representativos de sua obra. “Acredito que sempre tive muito privilégio de fazer apenas os filmes que eu queria, do jeito que eu queria.”
 
Ele aponta que seu cinema está muito próximo da literatura – mesmo sendo o caso de ter feito poucas adaptações literárias propriamente ditas. “Sempre tive muita liberdade de fazer meus filmes, e criei uma cinematografia que está de certa forma muito conectada.” Ele se vê mais como um escritor do que um cineasta. “Não escrevo roteiros, escrevo histórias que serão filmadas. Eu penso na estrutura da narrativa fílmica com se fosse de uma obra literária.”
 
No momento, ele conta que não está trabalhando em nada. “Fiz dois filmes na sequência [Vidas duplas e Wasp Network], preciso de férias. Preciso de um tempo para deixar a poeira baixar. Ideias sempre tenho, mas é preciso diminuir a velocidade agora. Só mais tarde começar a pensar seriamente no próximo trabalho.”
 
Enquanto isso, a retrospectiva da Mostra dá a oportunidade de ver e rever não apenas os filmes mais recentes do cineasta – Personal Shopper, Horas de verão e Acima das nuvens – como obras mais raras, como Irma Vep, A criança do inverno e Desordem, seu primeiro longa.
 
A criança do inverno
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 - 19/10/19 - 14:00
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5 - 20/10/19 - 21:50
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 22/10/19 - 16:40
 
Acima das nuvens
PETRA BELAS ARTES SL 1 VILLA LOBOS - 21/10/19 - 17:15
 
Água Fria
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3 - 23/10/19 - 19:40
CINEARTE 1 - 26/10/19 - 14:30
CINESALA - 30/10/19 - 14:00
 
Carlos, O Chacal
INSTITUTO MOREIRA SALLES - PAULISTA - 23/10/19 - 17:50
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 26/10/19 - 15:00
CINEMATECA - SALA BNDES -27/10/19 - 16:00
 
Clean
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 - 23/10/19 - 15:50
CINESALA - 26/10/19 - 21:40
CINESESC - 27/10/19 - 17:40
 
Depois de maio
RESERVA CULTURAL - SALA 1 - 23/10/19 - 14:00
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4- 29/10/19 - 21:10
 
Desordem
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 22/10/19 - 15:00
CINEMATECA - SALA BNDES - 26/10/19 - 18:40
 
Eldorado
CINEMATECA - SALA BNDES  - 20/10/19 - 16:00
CINEARTE 2 - 25/10/19 - 14:00
 
Espionagem na rede
CIRCUITO SPCINE PAULO EMILIO – CCSP - 20/10/19 - 19:00
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 - 23/10/19 - 14:00
 
Horas de verão
CIRCUITO SPCINE PAULO EMILIO – CCSP - 20/10/19 - 17:00
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 22/10/19 - 20:10
 
Irma Vep
CIRCUITO SPCINE PAULO EMILIO - CCSP - 20/10/19 - 15:00
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 22/10/19 - 18:20
 
Noise
CIRCUITO SPCINE PAULO EMILIO – CCSP - 22/10/19 - 19:00
CIRCUITO SPCINE OLIDO - 25/10/19 - 17:00
 
Personal Shopper
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4 - 19/10/19 - 16:00
RESERVA CULTURAL - SALA 1 - 21/10/19 - 14:00
CINEARTE 1 - 27/10/19 - 16:30
 
Vidas duplas
CINESALA -19/10/19 - 19:45
 
Wasp Network
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 - 20/10/19
CINESESC - 26/10/19 - 21:15
 
Foto de Olivier Assayas: Mario Miranda Filho/agenciafoto.com.br63 /80

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança