Repescagem exibe 29 filmes da seleção da Mostra

43ª Mostra destaca produções nacionais como forma de resistência

Neusa Barbosa e Alysson Oliveira

Mesmo com a produção cinematográfica nacional enfrentando uma série de obstáculos como os cortes das políticas culturais do governo federal, é inegável que, paradoxalmente, os filmes brasileiros tenham um ano excelente, haja vista os prêmios em Cannes para Bacurau e A vida invisível, além da ótima acolhida a Marighella exibido no Festival de Berlim. Não por acaso, a 43a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que acontece entre 17 e 30 de outubro, traz cerca de 60 produções e coproduções brasileiras espalhadas pela programação. “O cinema brasileiro está forte, e ainda bem que estamos fortes quando a nossa importância está sendo colocada em dúvida”, disse Renata de Almeida, diretora do festival, na coletiva de apresentação da edição de 2019.
 
A seleção traz desde diretores experientes, como Karim Aïnouz (A vida invisível), Andrucha Waddington (O juízo), e Sandra Kogut (Três Verões), até estreantes, como o ator Caco Ciocler, que dirige Partida, e a atriz Barbára Paz, com Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (premiado no Festival de Veneza), além de Camila Freitas, com seu segundo filme, o documentário Chão, sobre o MST.
 
Destaques em Festivais e homenagens
Como é tradição na Mostra, questões sociais e humanistas dão o tom à seleção nacional e estrangeira, que, ao todo, conta com 300 títulos, incluindo desde os ganhadores dos principais prêmios em Cannes – o sul-coreano Parasita (foto ao lado), de Bong Joon-Ho – e Berlim – o israelense Sinônimos, de Nadav Lapid – passando por cineastas consagrados – como Elia Suleiman (O Paraíso Deve Ser Aqui, ganhador de uma Menção Especial em Cannes), os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne (O jovem Ahmed, prêmio de direção em Cannes), Werner Herzog (Family Romance, Ltda), Abel Ferrara (O projecionista), Lav Diaz (A interrupção), Bruno Dumont (Joana D’Arc), e o veterano da Mostra, o iraniano Mohsen Makhmalbaf (Marghe e Sua Mãe).
 
Nesse ano, um dos homenageados é o francês Olivier Assayas, cujo Wasp Network abrirá o festival. Baseado no livro Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais, e produzido por Rodrigo Teixeira, o filme traz no elenco Wagner Moura, o argentino Leonardo Sbaraglia, o venezuelano Edgar Ramirez, o mexicano Gael García Bernal e a espanhola Penélope Cruz, contando a história de um grupo de cubanos que viajam para os Estados Unidos e tentam infiltrar-se num grupo anticastrista.
 
Outro filme estrangeiro com DNA brasileiro é Dois Papas, de Fernando Meirelles, que será exibido na noite de encerramento e premiação da Mostra, estreando na Netflix em dezembro. Protagonizado por Jonathan Pryce e Anthony Hopkins, o filme traz os bastidores da discussão fictícia entre o papa Bento XVI e o papa Francisco durante a sucessão, em 2013, quando tentam encontrar um novo caminho para a Igreja Católica.
 
As homenagens deste ano serão para o francês Assayas, que, além do filme de abertura, também ganha uma retrospectiva com 14 longas de sua filmografia. Ele receberá o Prêmio Leon Cakoff, ao lado do israelense Amos Gitai, que apresentará seu Berlim-Jerusalém, de 1989, premiado no Festival de Veneza. O palestino Elia Suleiman ganhará o Prêmio Humanidade, além de acompanhar sessões de seu O paraíso deve ser aqui.
 
Uma das novidades da Mostra neste ano serão sessões gratuitas de coproduções nacionais no Theatro Municipal, em parceria com a SPCine, que acontecerão entre 18 e 20 de outubro. A primeira atração será A vida invisível, numa sessão de gala com participação do elenco e diretor, às 20h30. No sábado, às 21 horas, será a vez de Três verões, de Sandra Kogut, com Regina Casé, no elenco. No domingo, será Babenco - Alguém Tem Que Ouvir O Coração E Dizer: Parou, às 10h30. As sessões vespertinas acontecerão às 16h - no sábado, será exibido Abe, de Fernando Grostein de Andrade, e no domingo, Turma da Mônica: Laços.
 
O cartaz da 43a edição da Mostra de Cinema em São Paulo é assinado pela artista plástica Nina Pandolfo.
 
Para mais informações e a programação completa, acesse: http://43.mostra.org/br/home/
 
Leia aqui entrevista com Karim Aïnouz, diretor de A vida invisível

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