Justiça - Um Choque de Realidade

Ficha técnica

  • Nome: Justiça - Um Choque de Realidade
  • Nome Original: Justiça - Um Choque de Realidade
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 100 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Maria Augusta Ramos
  • Elenco:

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País


Sinopse

Documentário brasileiro premiado na Suíça acompanha o cotidiano nos corredores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ouvindo réus, defensores e juízes


Extras

Audiências Adicionais

Debate na pré-estréia

Depoimento da diretora

Depoimento dos personagens

Entrevistas


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/06/2004

O espaço do documentário vem aumentando no ainda reduzido circuito que exibe os filmes brasileiros. O gênero, aliás, conquista cada vez mais adeptos entre os realizadores, entre outros motivos, pelo menor custo e um discreto crescimento de interesse da parte do público, atitude sintomática num tempo em que os chamados "reality shows", que de realidade não têm nada, ganham cada vez mais tempo na televisão.

A diretora deste documentário é Maria Augusta Ramos, uma brasileira radicada na Holanda que já registra alguns trabalhos premiados em seu currículo, inclusive este, ganhador do Grande Prêmio no Festival Internacional de Documentários Visões do Real de Nyon (Suíça). Augusta passou seis meses nos corredores da carceragem da Polinter, subordinada ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, fechando o foco quase completamente no réu Carlos Eduardo, 23 anos, e nos efeitos de sua prisão sobre sua pequena família.

Empregado de uma padaria preso por dirigir um carro roubado, já com uma passagem na polícia, Carlos é o que em jargão policial se denomina "pé de chinelo". Ou seja, um pequeno criminoso, de baixa periculosidade, em geral enredado no crime num contexto de baixa escolaridade e mínimas oportunidades de emprego. O risco que corre a diretora, aliás, é esta opção pela escolha de uma história que a muitos vai parecer comum demais, corriqueira mesmo - e que por esse mesmo motivo é tão carregada de dramaticidade. O crime é banal, está ao alcance de tantos jovens como Carlos - o que, claro, explica mas não justifica, mas serve de constatação.

A partir do epicentro da história do rapaz, conhece-se sua família - sua mãe, Elma, que o criou sozinha depois que o marido a deixou, sua mulher Suzana, mão de uma menina de um ano e grávida pela segunda vez. Este pequeno círculo familiar permite a presença da câmera sempre muito perto, acompanhando as audiências do rapaz com os juízes, a volta à sua cela numa cadeia superlotada e as visitas dos parentes. Fora da cadeia, mostra-se a casa humilde da família e os cultos quase histéricos em que a mãe do rapaz ora pela solução dos problemas que carrega.

A diretora ouve também o outro lado, ou seja, a defensora pública Maria Ignez Kato, que acumula uma assustadora média de 80 casos acompanhados por mês, os juízes Geraldo Mascarenhas Prado e Fátima Maria Clemente, compondo o panorama geral de um cotidiano brutalizante para todos os envolvidos. Todos sabem que a justiça não é a instância em que nenhuma carência social vai se resolver. É uma máquina gigantesca cujo mecanismo atravancado não pode interromper-se. A este sistema sem rosto, em que uns não podem ou querem dizer toda a verdade e os outros tampouco podem ou querem ouvi-la, o filme procura ascultar.

Alguns vão sentir falta de um mergulho mais fundo em outras histórias mencionadas de passagem - como a do garoto Alan Wagner -, outros de maiores explicações. Ao assumir uma postura assim naturalista e descarnada, a diretora quis deixar nas mãos do espectador o discernimento sobre o que é importante. As conclusões, tire quem puder.

Neusa Barbosa


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