Um Casamento Perfeito

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Jovem estudante de arte (Béatrice Romand) cansa-se da vida amorosa instável e decide que é hora de casar-se. Uma amiga (Arielle Dombasle) resolve aproximá-la de seu primo solteiro (André Dussollier).


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Crítica Cineweb

24/02/2005

Sonhador, moralista, aristocrata, nostálgico. Tudo isso define o diretor francês Eric Rohmer, um simpático velhinho de quase 85 anos, que faz filmes com uma delicadeza e sofisticação na trama como se fosse um tecelão de renda fina. Quem procura sutileza no trabalho deste ex-crítico da Cahiers du Cinéma não perde o seu tempo. Ela é a própria razão de ser nos universos que ele inventa.

Neste filme, como em todos do diretor, os personagens vivem e se afirmam pela palavra. Não há vida oculta nem pensamentos escondidos que não sejam expressos, numa verborragia incessante que se derrama de maneira quase atordoante nos ouvidos do espectador. Compensa o fato de que este mar de palavras se refira sempre a sentimentos universais e a pequenas coisas do dia-a-dia de todo mundo. Por tudo isso, os personagens de Rohmer são quase sempre pessoas à flor da pele, transparentes aos olhos de quem assiste.

Este é o segundo filme da série “Comédias e Provérbios”, em que o tema é a decepção amorosa. A protagonista é a jovem Sabine (Béatrice Romand, que os espectadores brasileiros provavelmente conhecem de filmes posteriores do diretor, da série dos contos das quatro estações, aqui exibida antes deste filme de 1982). Ela trabalha numa loja de antigüidades e tem um caso com um pintor casado. Sua mãe é muito compreensiva, assim como sua irmã caçula. Estuda para completar seu mestrado. Nenhum grande drama nesta vida que começa a dar sinais de tédio, num cotidiano bem classe média. Aí, Béatrice decide que é hora de mudar tudo.

Impulsiva, a moça já resolveu tudo em sua cabeça – vai casar-se e pronto. Com quem é que é o problema. Ela não conhece ninguém que se encaixe em seu plano até que recebe a ajuda da amiga Clarisse (Arielle Dombasle, outra do casting constante do diretor). Esta tem um primo advogado e solteiro, Edmond (André Dussollier), e começa a alcovitar os dois. Só que o comportamento de Edmond é bastante dúbio. Ninguém sabe se ele está gostando disso tudo ou não. No universo tagarela de Rohmer, ele é o único a não dizer muita coisa, o que é sintomático.

Há um toque nostálgico nestas tramas românticas que lembram os enredos de Balzac, as comédias de Molière. Nada por acaso. Antes de cineasta e jornalista, Rohmer foi professor de literatura e escritor. Compõe diálogos, situações, reviravoltas, bem nesse clima que lembra um pouco um tempo que já passou. No fundo, quer dizer que os seres humanos e seus sonhos não mudam tanto assim. Ou não deveriam mudar.

Os filmes de Rohmer pedem ouvidos atentos, espectadores que saibam respirar e pensar junto com estas palavras abundantes, que desenrolam a vida íntima nos projetos mais insanos, os sonhos mais amalucados, as conspirações mais banais.

Sobra no fundo este fio que liga um ser humano a outro, criando uma trama fina, insegura, errática, complexa. A vida das pessoas, afinal, não é muito mais do que quase uma espuma.

Neusa Barbosa


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