Marcas da Violência

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País


Sinopse

Tom Stall leva uma vida tranqüila com os filhos e a mulher numa pequena cidade dos EUA até o dia em que mata dois assassinos que tentavam roubar a sua lanchonete. Ele se transforma num herói. A fama, no entanto, só lhe traz problemas. O capanga de um gângster chega à cidade, dizendo que Tom é uma outra pessoa: um assassino frio que tem uma dívida com o passado.


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Crítica Cineweb

08/11/2005

Quem não souber que Marcas da Violência é baseado numa graphic novel, pode pensar que se trata de um roteiro original de David Cronenberg, tamanha é a afinidade entre o diretor e o tema explorado pelo filme. Aliás, nem o cineasta sabia que se tratava de uma obra já publicada quando foi convidado a dirigir o longa.

O roteiro é de John Olson, baseado no livro de John Wagner e Vince Locke, e conta uma história até simples, mas que nas mãos do cineasta canadense ganha um tratamento complexo, transformando o filme numa sofisticada espiral desencadeada pela violência e sangue.

Viggo Mortensen é Tom Stall, o dono de uma lanchonete numa pequena cidade nos Estados Unidos. A vida naquele local transcorre como em praticamente todas as cidades do interior do país. Os jovens, por exemplo, não têm muito que fazer num sábado à noite, a não ser andar de carro pela avenida principal e paquerar. Nem por isso, Cronenberg opta por criar um clima opressor para o local – pelo contrário, os personagens parecem estar felizes com a vida que levam.

Stall é um dedicado pai de família, casado com a advogada Edie (Maria Bello), com quem tem um filho adolescente e uma filha pequena. Eles levam uma vida boa de classe média até o dia em que a lanchonete é assaltada por dois homens e, num golpe de sorte, Tom pega o revólver de um dos assaltantes e os mata.

Ele se torna o herói local, com diversas reportagens na TV e um bando de cidadãos gratos pela coragem dele, agradecendo-o o tempo todo. No entanto, essa exposição repentina leva até a cidade Carl Fogarty (Ed Harris), que diz conhecer Tom há muitos anos e que o homem tem contas para acertar com um passado delinqüente.

Parte do roteiro se fecha nessa questão: se Tom realmente é essa pessoa que o perigoso Fogarty diz ser. A outra parte volta-se para o filho adolescente da família, Jack (Ashton Holmes), que de rapaz retraído se torna corajoso a ponto de enfrentar os garotos mais arrogantes do colégio.

Ele está simplesmente seguindo o exemplo do pai, combatendo violência com violência. Mas isso desencadeia uma série de eventos que vai aos poucos destruindo a família e ameaçando a integridade física e emocional dos personagens. A família Stall passa por caminhos tortuosos. Cronenberg, por sua vez, faz o seu filme mais acessível e ainda assim visceral.

Com Marcas da Violência, Cronenberg comprova estar no melhor de sua forma. Poucos diretores conseguem retratar com tanta honestidade como ele o que há de tão próximo entre a violência e o erotismo, ou o que pode haver de erótico em meio à violência. O elenco também se mostra extremamente competente, principalmente Mortensen, que cria um personagem cheio de nuances e variáveis, e consegue o mais difícil: dar credibilidade à dúvida de quem ele pode ser. William Hurt também faz uma pequena participação no final. Seus poucos minutos em cena são suficientes para que a platéia registre a sua imagem e passe a ter pesadelos com ele.

Alysson Oliveira


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