Dizem por aí...

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Sarah (Jennifer Anniston) vai à sua cidade natal com o noivo (Mark Ruffalo) e fica sabendo que a história de A Primeira Noite de um Homem pode ter sido baseada num fato que aconteceu com sua família. Ao investigar a veracidade desse boato, ela descobre que há um homem (Kevin Costner) a quem nenhuma mulher de sua família consegue resistir.


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Crítica Cineweb

23/01/2006

Dizem Por Aí... é um daqueles filmes que partem de uma idéia original e interessante que se perde em meio ao processo. Quando chega à tela, o resultado é bem abaixo daquilo que poderia ter sido. Essa comédia sem graça ou charme parte do princípio que de que a premissa de A Primeira Noite de um Homem aconteceu de verdade. Os personagens Benjamin Braddock e a Sra Robinson (vividos por Dustin Hoffman e Anne Bancroft no filme original) realmente existem, atendem pelos nomes de Beau Burroughs (Kevin Costner) e Katharine Richelieu (Shirley MacLaine) e ela o seduziu. Aliás, isso parece ser uma lenda urbana em Pasadena, onde a história original, e boa parte desta, se passa. Todos da mesma geração conhecem o escritor Charles Webb, autor do livro que deu origem ao filme, e já ouviram falar que é baseado num fato verídico.

E é assim que o rumor se espalha, até chegar aos ouvidos de Sarah Huttinger (Jennifer Aniston), neta de Katherine que visita a cidade para o casamento da irmã Annie (Mena Suvari), e começa desconfiar que não é filha de seu pai, mas do outro cara. Acontece que ele é uma espécie de conquistador barato com um fetiche por mulheres dessa família, e acaba seduzindo a pobre e indefesa Sarah – e, não, ele não é o pai dela, afinal este é um filme hollywoodiano. Com isso, a moça começa a ter dúvidas sobre o seu relacionamento com o doce e meigo Jeff Daly, interpretado por Mark Ruffalo, que está se especializando num único tipo de personagem.

O principal problema de Dizem Por Aí..., entre os vários, é que ele é chato – algo, aliás, bem ruim para uma comédia. Não há um senso de humor, nem graça ou charme. Os poucos momentos próximos à diversão vêm de Shirley (que faz uma versão menos interessante de seu papel em Em Seu Lugar) e Costner, e só deles, não do roteiro de Ted Griffin (Onze Homens e Um Segredo), ou da direção de Rob Reiner (Alex e Emma). O roteiro, aliás, pertence àquela categoria que parece não acreditar que a platéia de cinema seja dotada de alguma inteligência, e por isso se explica tudo à exaustão. Jennifer é esforçada, mas parece estar repetindo na tela grande sua famosa personagem da extinta série Friends, fazendo caras e bocas no papel da moça inteligente, mas indefesa e cheia de dúvidas. Seu cabelo belo e bem cuidado rouba a cena toda vez que ela está na tela. Tanto que num dado momento um personagem pergunta se ela é modelo de propaganda de xampu. Não deve ser por acaso.

A história se passa em 1997 e não por motivos de nostalgia. O filme mantém uma relação estrita com A Primeira Noite de um Homem , lançado em 1967. Se fosse situado nos dias contemporâneos, todos os personagens deveriam ter quase 10 anos a mais, a protagonista não poderia ser feita por Jennifer e o público-alvo não poderia ser mulheres entre 20 e 35 anos. Dessa forma Dizem Por Aí... está situado na época do boom das .com. Por isso, um certo ar de nostalgia de uma época em que as pessoas eram mais ingênuas ou esperançosas.

Bem no fundo de Dizem Por Aí... parece haver uma idéia involuntariamente plantada. O filme poderia ser sobre como a ficção está mais próxima da realidade do que a gente desconfia; ou sobre como a literatura e o cinema ‘emprestam’ fatos a personagens reais para se alimentar. Mas uma coisa é certa: este filme prova que um clássico não adquire esse status por acaso. Então, o dinheiro que iria ser gasto no ingresso de cinema será melhor aproveitado num aluguel de A Primeira Noite de um Homem.

Alysson Oliveira


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