A Rainha

Ficha técnica

  • Nome: A Rainha
  • Nome Original: The Queen
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Inglaterra
  • Ano de produção: 2006
  • Gênero: Drama
  • Duração: 97 min
  • Classificação: Livre
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Sinopse

1997. Ano em que a Inglaterra tem um novo-ministro, Tony Blair (Michael Sheen), o primeiro do Partido Trabalhista em muitos anos. Logo ele tem a oportunidade de marcar pontos junto ao público, quando compreende rapidamente que se deve organizar um grande funeral público para a princesa Diana, que acaba de morrer. Mas ele tem de enfrentar a resistência da família real, tendo à frente a rainha Elizabeth II (Helen Mirren) - que guarda mágoas da ex-nora, divorciada de seu filho.


Extras

-Trailers


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

08/02/2007

Dez anos após a morte de Lady Di, num acidente de carro em Paris, o filme de Stephen Frears, relembra a verdadeira crise política aberta na Inglaterra, devido à inabilidade e incompreensão com que, a princípio, a família real lidou com a incrível popularidade da princesa morta.

Na pele da rainha Elizabeth II, a atriz Helen Mirren dá um show de interpretação e sutileza. Depois de ganhar o Globo de Ouro por este papel, ela também concorre ao Oscar de melhor atriz no próximo dia 23 de fevereiro. Esta é uma das seis indicações de “A Rainha”, que disputa também a estatueta em outras categorias muito cobiçadas, melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original (Peter Morgan), melhor figurino (Consolata Boyle) e melhor música (Alexandre Desplat).

Um dos aspectos mais saborosos da história é satirizar personagens vivos e em seus postos, caso da rainha e também do primeiro-ministro Tony Blair (interpretado por Michael Sheen, que havia vivido o mesmo personagem num filme para a TV inglesa, The Deal, de 2003, onde começou a parceria entre o diretor Frears e o roteirista Morgan). Sheen, aliás, parece-se inclusive fisicamente com Blair, assim como a atriz que interpreta sua esposa Cherie, Helen McCrory.

Talvez nunca se venha a saber ao certo até que ponto membros da família real tenham mesmo feito comentários tão cínicos sobre a morte da princesa. No filme, a princesa Margaret, por exemplo, diz à irmã e rainha, quando tem de interromper suas férias na Toscana por causa do funeral, que “até depois de morta Diana cria problemas”.

Em todo caso, é fato comprovado que a família real resistiu muito a fazer qualquer comentário ou mesmo a organizar um funeral público para aquela que, mesmo divorciada do príncipe Charles (Alex Jennings), foi mãe de dois príncipes herdeiros do trono. Quando sabe que Diana morreu, a rainha não faz qualquer declaração, não se move de sua residência de férias nem manda hastear nenhuma bandeira no Palácio de Buckingham – diante de cujos portões toneladas de ramalhetes de flores se acumulavam a cada dia, demonstrando a dor que a população inglesa sentia com a morte.

A rápida compreensão do sentimento do povo mostra-se a primeira grande oportunidade do primeiro-ministro Tony Blair, novo no cargo e o primeiro do Partido Trabalhista em muitos anos, de marcar pontos para sua própria popularidade. Bem-orientado por seu assessor de imprensa, que inventa a expressão “princesa do povo” para um dos discursos de Blair, o primeiro-ministro sai fortalecido do episódio.

Sentindo-se forte diante da rainha, que o tratara com bastante frieza no primeiro encontro dos dois, Blair acha que é seu dever alertá-la sobre o perigo que pesa sobre a própria imagem da monarquia, caso persista em ignorar a dor do povo por Diana. Isto acaba mudando mesmo a atitude da família real, que a contragosto organiza um funeral público, mais uma vez um grande evento coberto pela mídia, como tudo o que dizia respeito a Diana.

Este é o grande eixo do filme – a disputa do espaço de poder por Blair diante da soberana, a luta entre modernidade e tradição que está por trás de todo o funcionamento mesmo da sociedade inglesa. Mas o roteiro de Peter Morgan tem inteligência e ironia o bastante para explorar bem mais do que isso. A rainha, que já viu passar outros dez primeiros-ministros, sabe o quanto a sua lua-de-mel com o povo pode ser breve – o que ela diz a Blair num outro encontro. Nada mais profético, quando se lembra que, depois de três mandatos, o primeiro-ministro, caído em desgraça diante da opinião pública inglesa, agora prepara-se mesmo para sair. Enquanto a rainha, claro, continua como sempre em seu trono.

Neusa Barbosa


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