Sangue Negro

Ficha técnica


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País


Sinopse

Califórnia, início do século XX. Minerador que enriqueceu com ouro, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) passa a comprar fazendas com grandes jazidas de petróleo, comprando-as por pequenas quantias de proprietários que não sabem o valor do que têm.


Extras

- Imagens Históricas

- Pesquisa e Inspiração


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

14/02/2008

Este drama poderoso começa sem preparação, já em alta voltagem, com uma longa seqüência em silêncio, numa mina, onde Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) escava sozinho. Sua queda não o derrota. Ele se arrasta para fora, uma perna quebrada, levando no bolso a prova de que achou ouro. Rastejando, chega à sede do escritório da mineradora.

Este segmento inicial é uma síntese eloqüente do que vem a seguir. A riqueza de Plainview será sempre assim, escavada na marra das entranhas da terra. Ele não é homem de delicadezas. Por isso, a prospecção de petróleo lhe assenta tão bem.

Plainview só tem de seu o que escava, o que encontra – até o filho (Dillon Freasier), que ele terminará por adorar tanto, embora o afeto numa natureza assim mineral torne-se também pedra bruta.

No embate com o jovem pastor da Igreja da Terceira Revelação, Eli (Paul Dano, de Pequena Miss Sunshine), define-se mais cristalinamente o caráter destes dois motores da iniciativa e da colonização da América do Norte, o capitalismo selvagem de um lado, o fundamentalismo religioso, do outro.

É um tom épico o que o diretor Paul Thomas Anderson semeia, herdeiro mais de John Steinbeck e Terrence Malick do que do Orson Welles de Cidadão Kane. O fato é que o Anderson de Boogie Nights e Magnólia amadureceu em várias direções, algumas inesperadas. Faz grande cinema, digno da melhor tradição de John Huston e do George Stevens de Assim Caminha a Humanidade (1956) – uma das fontes de releitura desta história, ligeiramente adaptada do livro Oil, de Upton Sinclair.

Seu mergulho nos mitos fundadores da América afunda suas raízes no passado e ilumina o presente.O sangue negro que no início do século XX jorrava na Califórnia agora jorra no Iraque, em todos os lugares misturado com o sangue dos homens, embebidos nos delírios do poder e da riqueza.

Interpretado por um Daniel Day-Lewis verdadeiramente possesso, de quem ninguém pode roubar seu segundo Oscar de melhor ator (o primeiro foi em 1989, por Meu Pé Esquerdo), Plainview é um personagem tão impiedoso quanto o Bill the Butcher de Gangues de Nova York. Mas tem muito mais nuances – especialmente em relação ao filho e ao irmão (Kevin J. O’Connor). Nesta paisagem praticamente desprovida de mulheres, amenidades e beleza, ele é o imperador inconteste de uma ordem que, se gerará riqueza, se autodestruirá inabalavelmente por falta de limites.

Neusa Barbosa


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