Senhores do Crime

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Sinopse

Anna é uma parteira num hospital de Londres que se sensibiliza com o drama de uma órfã recém-nascida. Ela encontra o diário da mãe, que morreu no parto, e conta com a ajuda do tio para traduzi-lo do russo. Porém, as anotações poderão a levar ao centro da máfia e sua vida passa a correr perigo.


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Crítica Cineweb

21/02/2008

Novo drama do diretor David Cronenberg explora os bastidores de uma família mafiosa russa, estabelecida em Londres.

O herdeiro incompetente para desempenhar sua função e o esperto homem de confiança do patriarca são apenas alguns dos clichês do gênero que Cronenberg e o roteirista Steven Knight (Coisas Belas e Sujas) usam a seu favor para elevar o longa a um patamar acima da média. O público entra nesse submundo na companhia de Anna (Naomi Watts, de 21 Gramas), uma parteira que, sem querer, envolve-se com a organização. É um mundo que fascina e assusta nas mesmas proporções.

A história passa-se basicamente entre o Natal e o Ano Novo, começando com o nascimento de uma menina sob os cuidados de Anna e a morte da mãe da bebê. A parteira encontra o diário da moça, que era russa, e espera achar alguma pista sobre sua família.

O diário está em russo, mas Anna tem um tio que fala essa língua e vai ajudá-la na tradução. O cartão de um restaurante perdido dentro do caderno pode ser uma pista preciosa sobre quem é a moça que morreu no parto. Ao chegar ao local, Anna percebe que o ambiente é familiar e aconchegante, comandado pelo patriarca Semyon (Armin Mueller-Stahl, de Shine – Brilhante). Mas também não demora muito a perceber que ele é um chefão da “vory v zakone”, a máfia russa, e chefia as operações de dentro de seu estabelecimento, que serve como fachada.

Cercando o chefão, há o filho herdeiro incompetente Kirill (Vincent Cassel, de Treze Homens e um Novo Segredo) e o homem capaz de fazer o serviço sujo e limpar a sujeira, Nikolai, interpretado com sutileza por Viggo Mortensen, que já havia trabalhado com o diretor em Marcas da Violência (2005) e foi indicado ao Oscar por este trabalho.

Como o outro filme assinado pelo roteirista Knight, Coisas Belas e Sujas , este é um drama sobre questionamentos morais, tráfico de pessoas e as misérias humanas que emergem da sordidez. Em Senhores do Crime, o tema central é o comércio sexual que ganhou contornos globais, em especial envolvendo moças da antiga União Soviética.

Através do diário da morta, Anna e seu tio ficam sabendo mais do que deveriam. Ele prefere que ela esqueça tudo e finjam que nada aconteceu. Mas a parteira está obcecada com as circunstâncias do nascimento daquele bebê e não desiste.

Nessa jornada de Anna, Nikolai funciona tanto como anjo da guarda, quanto como exterminador. Como em Marcas da Violência, Mortensen opera em duplo sentido. Pouco se sabe ao certo quem ele é ou como trabalha. Suas tatuagens – o sinal de status dentro da organização – podem dar uma pista, mas, no fundo, ele pode ser uma pessoa tão obcecada quanto Anna.

Senhores do Crime resulta de uma combinação peculiar: o humanismo do roteiro de Knight com a meticulosidade da direção de Cronenberg, que nunca traz uma nota de consolo. O resultado causa estranheza, e, num primeiro momento, o filme pode parecer frio. Com o passar do tempo, tanto aspectos sombrios quanto sublimes da natureza humana ficam mais nítidos.

Alysson Oliveira


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