Juventude

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Sinopse

Três amigos da vida inteira reúnem-se para um jantar. Relembram os grandes momentos de 40 anos de amizade numa noite cheia de risos e memórias de grandes amores.


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Crítica Cineweb

30/12/2008

Colocando na tela três respeitáveis senhores na faixa dos 60 e 70 anos – o próprio diretor, Domingos de Oliveira, Paulo José e o diretor teatral Aderbal Freire Filho (num raríssimo trabalho como ator) - Juventude materializa uma perspectiva ao mesmo tempo densa e luminosa da maturidade, recheada das clássicas tiradas cômicas de Oliveira. Uma delas, sua definição para as diferentes fases da vida: “Existe a juventude, a maturidade e o ‘você ‘tá ótimo’”. Uma outra: “A libido acaba bem depois da esperança”.

Esses três atores verdadeiramente em estado de graça (nem mesmo a dicção atravancada de Domingos atrapalha tanto assim) destilam paixão, tesão, ironia e amargura para fazer um balanço de suas vidas, relembrando o momento em que se conheceram no colégio, várias décadas atrás. Foi durante uma encenação da peça A Noite dos Cardeais, clássico teatral lusitano de Júlio Dantas. A cena, aliás, em que os homens velhos contracenam com eles mesmos meninos, vestidos com a capa vermelha de cardeais, é um dos momentos mágicos deste filme belo e rico tanto de idéias quanto de sentimentos.

A tessitura complexa deste roteiro, da autoria de Domingos, cria diversas camadas para que estes homens assumam e ultrapassem a queda de suas muitas crenças pela vida – como diz o diretor em off no começo, deixando para trás a psicanálise, o marxismo, a revolução e a razão. Só sobrou o amor. Por isso, estes três homens só são capazes, afinal, de decantar seus sentimentos para identificar aquelas que foram as mulheres de suas vidas que, no caso de um deles, é a própria filha – sem que haja aí a sugestão de nenhum incesto. Esse tipo de amor amplo e profundo, na liturgia dramática deste cineasta e dramaturgo, afinal, é o último reduto do humanismo.

Juventude não deixa também de registrar um ritual de passagem, no caso destes homens, rumo à velhice e mesmo à morte, sem perder de vista uma necessidade irredutível de não abrir mão de desfrutar nenhum momento. Como definiu o ator Paulo José no Festival de Gramado 2008 – onde o filme venceu quatro prêmios, inclusive de excelência artística para o trio de atores - e parafraseando livremente o poeta gaúcho Mário Quintana: “Se não podemos estar todos na flor da idade, podemos estar na flor de cada idade”. Tanto isso se mostrou verdade que os três madurões do filme de Domingos Oliveira pareceram muito mais apaixonados e vitais do que muitos adolescentes.

Aos 72 anos, Domingos não filma tanto quanto Woody Allen. Mas tem a mesma obsessão por relacionamentos amorosos, como visto nos seus recentes Amores (98) e Separações (02) – dos quais este impecável Juventude parece até um capítulo final, depois de dois filmes menores, por problemas inclusive de orçamento, Feminices (04) e Carreiras (05).

Neusa Barbosa


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