O Curioso Caso de Benjamin Button

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Sinopse

Benjamin nasce na Nova Orleans do pós-Primeira Guerra com aparência de um velho. Porém, conforme passam os dias, ele rejuvenesce. Ao longo de sua vida, conhece a bailarina Daisy, por quem se apaixona – mas o tempo corre em direção oposta para os dois.


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Crítica Cineweb

15/01/2009

Partindo de um conto curto de 28 páginas, publicado em 1922 pelo escritor Scott Fitzgerald, O Curioso Caso de Benjamin Button liberta-se do sarcasmo dessa fonte original para decolar com força própria, no ambicioso roteiro de Eric Roth (Forrest Gump) e Robin Swicord.

Dirigido por David Fincher, o filme é uma façanha em toda linha. Não só por extrair 2h27 de um conto tão conciso, como por tornar sólidos todos os seus muitos desenvolvimentos. Pouco mais do que a premissa básica – um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo com o correr dos anos – sobrevive aqui. Não são mantidos nem o ano – 1860 no livro, 1919 aqui – nem o local do nascimento de Button (Baltimore é substituída por New Orleans).

Essas e outras mudanças não são meramente estéticas. Servem para introduzir elementos ativos neste grande drama romântico, repleto de aventuras e emoções. O início em New Orleans, em 2005, ocorre em pleno furacão Katrina. Num hospital, a velhíssima Daisy (Cate Blanchett), agoniza, sob os olhos atentos da filha Caroline (Julia Ormond). O alarmante mau tempo lá fora e o seu delicado estado de saúde não impedem a velha senhora de lembrar-se de um diário, que pertenceu a Benjamin Button. Um personagem que freqüentou a vida de Daisy e que é, até ali, desconhecido de Caroline. Embora seja muito mais essencial para sua existência do que ela imagina.

Boa parte do tempo oculto sob uma pesada e engenhosa maquiagem, Brad Pitt interpreta em quase todas as idades este homem que nasceu misteriosamente velho, como um bebê senil. O pai (Jason Flemyng) horroriza-se com sua condição e abandona-o nos degraus de uma instituição para idosos. Ali, ele é acolhido pela bondosa cozinheira, Queenie (Taraji P. Henson).

Criança aprisionada num corpo caquético, o que o obriga a princípio a usar cadeira de rodas, Benjamin vive uma infância insólita entre velhos de corpo e alma. Passará toda a vida dividido entre esse conflito básico, de não ser por fora o que é por dentro. Poucos serão capazes de enxergá-lo como é, sem cair na tentação de vê-lo como uma aberração da natureza.

Uma das poucas pessoas a aceitá-lo incondicionalmente é Daisy, que ele conhece quando ela, menina, vem visitar a avó, hóspede do asilo. Identificando o espírito infantil de Benjamin, Daisy torna-o logo companheiro de suas brincadeiras – uma delas, causadora de um pequeno escândalo.

Neste momento, no entanto, os dois não têm como conviver. Benjamin rejuvenesce aos poucos, ganhando vigor e, como qualquer adolescente, vai encarar sua jornada de amadurecimento no mundo lá fora. Como a temporada no navio do frenético capitão Mike (Jared Harris), interrompida por uma parada no porto russo de Murmansk, onde Benjamin terá um caso com uma mulher casada (Tilda Swinton). Paralelamente, Daisy torna-se uma jovem desinibida e exímia bailarina clássica em Nova York.

As trajetórias dos dois coincidem num momento da metade da vida deles, quando vivem uma grande história de amor. Que corre um sério risco, já que o tempo corre de maneira oposta para cada cada um. Daisy está envelhecendo, Benjamin, remoçando. A chegada de um filho coloca em pauta uma série de decisões difíceis.

Atento a todas essas passagens de tempo, num amplo espectro que vai de 1919 a 2005, o filme é um primor de direção de arte (de Kelly Curley, Randy Moore e Tom Reta), fotografia (Cláudio Miranda), roteiro, direção e atuação. Não se perde de vista, igualmente, um necessário equilíbrio entre drama e humor. Habituado a mundos de fantasia e pesadelo, como os que visitou em trabalhos anteriores como Seven – Os Sete Crimes Capitais (95), Clube da Luta (99) e Zodíaco (2007), Fincher dá um salto de maturidade.

Os prêmios se acumularam para o belo filme. A National Board of Review escolheuFincher como melhor diretor. Ele ganhou também indicação no Sindicato dos Diretores da América - um sinal seguro de que chegaria ao Oscar, como de fato chegou. O filme recebeu 13 indicações, mas só levou três em categorias técnicas: direção de arte, maquiagem e efeitos visuais.

A produção e os atores mereciam mais, é verdade. Mas este era o ano de Quem quer ser um Milionário?.

Neusa Barbosa


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