Milk - A Voz da Igualdade

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Locais de filmagem


Sinopse

Mudando de Nova York para S. Francisco, Harvey Milk só pensa em abrir uma loja e viver feliz com o namorado. Ao invés disso, ele vai transformar o bairro do Castro no centro de uma nova militância pela maior liberdade para os gays.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/02/2009

Poucos como Harvey Milk (1930-1978) contribuíram mais para normalizar a chamada “questão gay”. De funcionário do mercado financeiro que disfarçava sua homossexualidade a primeiro gay assumido a ser eleito num cargo político nos EUA, Milk elevou a militância homossexual a um outro patamar. E com imensa simpatia, sinceridade e ternura.

Ganhador de dois Oscars, melhor roteiro original (Dustin Lance Black) e melhor ator (o segundo de Sean Penn), Milk – A Voz da Igualdade tem, assim, um manancial enorme para explorar e dar conta de um personagem único. E o faz sem procurar santificá-lo. Tudo a respeito de Milk (Sean Penn, vencedor também do prêmio do Sindicato dos Atores da América) é muito humano, inclusive sua sexualidade. A marginalidade, afinal, está nos olhos de quem vê.

Por isso, Milk..., o filme, aproxima qualquer público, gay ou não, da intimidade de uma pessoa verdadeira, que mudou seu tempo. E quem achar que a missão dele está cumprida, certamente esquece que há bem pouco tempo a mesma liberal Califórnia em que ele viveu baniu o casamento gay através da Proposição 8. Milk, o político, teria ainda muito trabalho nesta época.

Apesar de o filme ser, naturalmente, muito centrado em seu protagonista, vivido pelo ator de modo a apagar sua persona atrás dele, a história deixa clara a forma coletiva como Milk lidava com suas causas. Assim, ao lado dele brilha uma constelação de atores competentes, interpretando seus auxiliares diretos, caso de Cleve Jones (Emile Hirsch) e a chefe de campanha Anne (Alison Pill), além do ex-namorado e amigo Scott (James Franco, no melhor papel de sua carreira) e do novo amor, o instável Jack Lira (Diego Luna).

Carismático e bem-humorado, Milk desembarcou de Nova York na San Francisco de 1972. Tudo o que ele e o então namorado Scott queriam era abrir uma loja de fotografia na rua Castro, então o centro de um bairro um tanto decadente. Gays não eram benvindos por ali. Aliás, o par é desaconselhado até de permanecer na vizinhança. Descobrindo sua energia para resistir a ameaças desse tipo, Milk desobedece. Não muito tempo depois, todo o bairro do Castro se tornaria o epicentro da militância contra a discriminação aos homossexuais.

Antes que as bandeiras de arco-íris se tornassem decoração habitual de quase todas as janelas do Castro, como acontece até hoje, houve um caminho pavimentado por manifestações, choques com a polícia, prisões e até mortes. Uma das guerras mais ferozes foi contra a Proposição 6, do senador John Briggs – que propunha a expulsão de professores gays e seus apoiadores das escolas públicas e tinha como sua principal porta-voz a cantora Anita Bryant.

Nessa altura, Milk abandonou sua loja para tornar-se líder político, protagonizando uma campanha contra a proposição em que foi capaz de ganhar o apoio de ninguém menos do que o conservador republicano Ronald Reagan, então ex-governador e que pleiteava sua candidatura à presidência (a que só chegou em 1981). Eficiente em ganhar o apoio de não-gays contra a discriminação, Milk foi decisivo para a derrota da proposta.

Usando diversas imagens verídicas da época, muitas delas do documentário premiado com o Oscar The Times of Harvey Milk, de Rob Epstein, o filme acompanha a lenta e difícil derrubada das barreiras para a eleição de Milk, que também dependia de votos de heterossexuais e pessoas que eventualmente tinham seus preconceitos morais ou religiosos contra a homossexualidade. Batalhando para que os gays fizessem como ele, se assumissem, o que levaria os héteros a descobrirem quantos deles já conheciam, Milk afronta o preconceito. E, na terceira tentativa, em 1977, consegue ser eleito supervisor, equivalente ao cargo de vereador, em San Francisco.

A tragédia de que não durou mais do que 11 meses no cargo, assassinado a tiros, junto com o prefeito da cidade, George Moscone, por um ex-supervisor, Dan White (Josh Brolin, também indicado ao Oscar), não torna o filme sombrio. Mesmo que seja de um Harvey Milk premonitório o bastante para gravar seu próprio testamento, sua voz se faz ouvir como alguém cuja memória não só sobrevive como ecoa num brado de liberdade. “Se uma bala entrar na minha cabeça, que ela destrua as portas de todos os armários”, é uma das frases desse testamento, retrato de uma pequena pessoa grande.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 22/12/2011 - 20h16 - Por hermes Otimo filme ,a morte dele è`a melhor cena do filme!
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