Não, minha filha, você não irá dançar

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Sinopse

Lena separou-se do marido e, com os dos filhos pequenos, vai passar um final de semana com os pais. Chegando lá, a família inteira tem planos para que a moça seja feliz. Mas ninguém se dá ao trabalho de perguntar-lhe o que ela mesma quer realmente.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/01/2010

Com pouco mais de 30 anos, Lena (Chiara Mastroianni, de Canções de Amor) ainda não é capaz de cuidar de si mesma – muito menos de seus filhos pequenos ou, sequer, de um pássaro doente que resgata numa estação de trem. A moça, um desastre ambulante, acaba de separar-se do marido (Jean-Marc Barr, de Manderlay), e vai passar um final de semana na casa de campo de sua família.
 
Assim começa Não, minha filha, você não irá dançar, uma comédia agridoce de Christophe Honoré, jovem cineasta francês cujo nome começou a ficar mais conhecido há alguns anos, quando fez Em Paris. Aqui, no entanto, o tom é outro resultando num filme um pouco irregular, ainda que cheio de momentos interessantes. Acima de tudo, este é um estudo de personagem, uma mulher cheia de problemas emocionais, cercada por pessoas um tanto neuróticas, mas com um pouco mais de habilidade para lidar com suas questões.
 
O filme, que é roteirizado por Honoré e Geneviève Brisac, coloca Lena no centro, jogando todo o peso nas costas dela. Pode ser um pouco injusto com a personagem – mas desde quando a vida é muito justa? Ela é obrigada a lidar com a mãe palpiteira, Annie (Marie-Christine Barrault, de Primo Prima), o pai que se esforça para a compreender, Michel (Fred Ulysse, Irmãos), e os irmãos intrometidos, Gulven (Julien Honoré) e Frédérique (Marina Foïs, de Asterix e Obelix: Missão Cleópatra).
 
A jornada de Lena que atravessa Não, minha filha, você não irá dançar é penosa para a personagem – e, muitas vezes dolorosa de acompanhar para o público. Honoré não facilita em nada a vida da personagem – o filme é bastante melancólico – mas também não busca nenhuma redenção ao melhor estilo deus ex machina. As pessoas são como são e nem sempre elas mudam. Nem sempre conseguem encarar seus problemas e se compreender. Talvez um dia Lena seja capaz de colocar ordem na sua vida.
 
A opção de felicidade para Lena é elaborada por sua família – e não por ela mesma. Por isso, não é necessariamente válida. Mas como fazer feliz uma pessoa que não tem ideia do que seja a sua felicidade? A resposta é simples: não existe como. Esse é um filme duro, bastante duro, aliás, porque coloca como protagonista uma personagem empurrada por outras forças que não ela mesma, uma vez que não sabe o que quer da vida – e não tem como se guiar. Dessa forma, ela se torna tão vulnerável aos desejos daqueles que a cercam.
 
A mãe quer a todo custo que Lena volte para o marido – embora a mulher pareça não gostar muito dele. O pai fica do lado da protagonista, mas também está desolado com essa falta de quaisquer perspectivas na vida da filha. Ela é médica, mas abandonou o emprego. Mais tarde, arruma um trabalho numa floricultura, onde é maltratada pela proprietária. Acaba se envolvendo com Simon (Louis Garrel, de Amantes Constantes e veterano de filmes de Honoré).
 
Haveria lugar para uma pessoa como Lena neste mundo? A resposta não é dada pelo filme. Talvez, uma dica seja a música que toca ao final do longa. Cantada por Antony and the Johnsons, a letra diz ‘eu preciso de um outro mundo/ um lugar para onde possa ir’. É sob essa luz que a jornada de Lena, no filme, chega ao fim. Sem conquistas, sem vitórias, mas ao mesmo tempo ciente de uma necessidade de autodescoberta que só assim poderá superar sua autodestrutividade. Chiara, aliás, nunca esteve tão bem num filme.
 
Não, minha filha, você não irá dançar não é nada simples – talvez nem muito agradável. Mas é um retrato bastante honesto – por isso mesmo muito doloroso e triste – de uma pessoa em busca de si mesma, que descobre um pouco tarde que o mundo é complicado. O processo de crescimento é doloroso, mas ainda assim possível.

Alysson Oliveira


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