Os famosos e os duendes da morte

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 6 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Jovem morador de uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul conhece o mundo apenas pela internet. No mundo virtual, entra em contato com outras pessoas e cultiva sua paixão por Bob Dylan.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/01/2010

Em Os famosos e os duendes da morte, o premiado curtametragista Esmir Filho (Saliva, Alguma coisa assim, além do sucesso da internet Tapa na Pantera), estreia na direção de longas mergulhando numa adolescência bastante típica – mas, ao mesmo tempo muito particular – de um grupo de personagens, moradores de uma pequena comunidade rural no sul do Brasil.
 
O protagonista não tem nome e é interpretado pelo estreante Henrique Larré. Ele é um garoto cuja alienação é tão forte que seu mundo se resume a quase nenhum amigo e à tela de um computador. Tal qual praticamente toda a sua geração, a janela para o mundo é formada por pixels e bites e o pseudônimo Mr. Tambourine Man.
 
Ao mesmo tempo, o jovem parece fruto de outra época. Seu cantor preferido é Bob Dylan – a canção “Mr. Tambourine Man” é bastante importante para o filme – e a melancolia é o sentimento que o domina. Na sua cidadezinha, de colonização alemã, algo bastante estranho também acontece: há um alto número de suicídios. As pessoas se matam, talvez por causa do isolamento do local, talvez por conta de depressões e angústias, pulando de uma ponte.
 
Fantasmas, reais e imaginários, realistas e metafóricos, perseguem o protagonista. As memórias das pessoas que se foram, especialmente a irmã de um amigo, o consomem. A possibilidade de estourar a bolha nada confortável onde ele vive aparece quando Bob Dylan – sim, “a voz de uma geração”, “o poeta do folk” em pessoa – dará um show em São Paulo. Uma pessoa , a bites de distância do protagonista, o encoraja: “Vá embora desse lugar. Vá atrás de seu sonho”.
 
Nessa jornada de autodescoberta, uma figura periférica, aos poucos, vai tomando o centro. Trata-se de Julian – interpretado por Ismael Caneppele, autor do livro em que o filme é baseado, e corroteirista, ao lado do diretor. Ele é o ex-namorado da irmã do melhor amigo do protagonista, Diego (Samuel Reginatto). A garota (Tuanne Eggers) é vista em imagens de webcam e vídeos.
 
Basicamente, Os famosos e os duendes da morte é um filme sobre a crença nos próprios sonhos, sobre o rompimento dos próprios laços, da própria alienação para descobrir e conquistar o mundo – ou ser engolido por ele. Primeiramente, o personagem central tenta isso pelo computador. Afinal, é mais cômodo, mais fácil, menos doloroso. Mas também, menos prazeroso. Romper com a bolha, cortar o cordão umbilical, são processos lentos que respeitam a velocidade de cada um.
 
No filme, que, foi o grande vencedor do Festival do Rio, no ano passado, o diretor Esmir Filho passa boa parte do tempo estabelecendo um clima, delineando personagens e retratando suas angústias. O longa é repleto de belas imagens – assinadas por Mauro Pinheiro Jr. (Linha de Passe). Ainda assim, elas nunca parecem atender a uma necessidade narrativa. Os simbolismos do filme também são exagerados, carregados. Uma bruma define o tom de isolamento e melancolia. Os personagens parecem sair do nada quando andam pelas ruas. As casas parecem não existir, engolidas pela névoa.
 
Com vários pontos de contato com o cineasta Gus Van Sant – especialmente seu filme Paranoid Park -, Os famosos e os duendes da morte, tal qual um adolescente, parece levar-se a sério demais, sem levar tanto em conta que existe um mundo (e um cinema) antes dele e que o aqui e agora são efêmeros. Se este é um retrato da juventude, parece ser algo bem específico, no lugar e no tempo.

Alysson Oliveira


Trailer


Comente
Comentários:
  • 04/04/2010 - 20h23 - Por Aron Aguiar Não vi o filme ainda, mas adorei a crítica.
Deixe seu comentário:

Imagem de segurança