O amor segundo B. Schianberg

Ficha técnica

  • Nome: O amor segundo B. Schianberg
  • Nome Original: O amor segundo B. Schianberg
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2009
  • Gênero: Drama
  • Duração: 80 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Beto Brant
  • Elenco: Gustavo Machado, Marina Previato

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Sinopse

Num apartamento no centro de São Paulo, uma artista plástica (Marina Previato) e um ator de teatro (Gustavo Machado) começam a conhecer-se e apaixonar-se. Paralelamente, ela constroi um trabalho de videoarte, com sua pequena câmera.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

08/02/2010

Primeiro trabalho para a televisão do cineasta paulista Beto Brant (O Invasor, Crime Delicado), O Amor Segundo B. Schianberg foi exibido em julho de 2009 como uma minissérie de quatro capítulos na TV Cultura. Agora, ganha uma versão para o cinema, de 80 minutos.
 
Benjamin Schianberg, um personagem secundário do romance Eu Ouviria as Piores Notícias de seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino, parceiro habitual nos roteiros do cineasta Beto Brant, deu uma pista para a criação desta história. Naquele livro, Schianberg era um psicanalista e professor interessado na observação das relações humanas. Na minissérie, pode-se ouvir apenas sua voz, que pertence ao artista plástico mexicano Felipe Ehrenberg (que fez parte do elenco de Crime Delicado).
 
A ação passa-se praticamente toda dentro de um apartamento na região central de São Paulo. Nele mora a artista plástica Gala (Marina Previato), que recebe as visitas do ator Felix (Gustavo Machado, de Quanto Dura o Amor?). Os dois estão se envolvendo, apaixonando.
 
A história se resume a acompanhar o surgimento deste relacionamento.Há uma gradativa construção da intimidade em curso, que nasce não só a partir da aproximação física, como também das conversas entre Gala e Felix, que manifestam uma aguda curiosidade pelo trabalho um do outro. Gala quer saber quais os limites da encenação. É particularmente reveladora, e também engraçada, a sequência em que ele procura mostrar-lhe qual a diferença entre um “beijo técnico”, de teatro, e um beijo “de verdade”.
 
No fundo, a divisa entre encenação e realidade e encenação é a grande questão de O Amor segundo B. Schianberg. Em diversas entrevistas, Beto Brant contou ter procurado expor mesmo os limites da construção das realidades encenadas, como as que se veem nos populares reality shows. A própria minissérie foi construída como se fosse um deles, com o apartamento que serviu de cenário, no bairro do Cambuci, sendo alugado pela produção e nele instaladas oito câmeras. Num apartamento ao lado, o diretor acompanhava as filmagens, interferindo minimamente – ele apenas mandava algumas instruções aos dois atores, via e-mails, por exemplo. Por isso, o filme é uma grande viagem neste mundo midiatizado tão contemporâneo, mas vai mais além, procurando explorar onde está a fronteira dos sentimentos, onde começa o amor.
 
O ponto de vista de Gala fica claro na sequência final, quando finalmente os espectadores tem contato com a obra que ela esteve construindo, depois de passar o tempo todo filmando com uma pequena câmera. É um fecho perfeito para um filme que tem uma natureza bem experimental, sem ser hermético.
 
A obra serve também como um tipo de fecho a investigações feitas pelo diretor em trabalhos anteriores, como Cão sem Dono (2005), em que também um casal (Tainá Muller e Julio Andrade) descobria o amor num apartamento, e Crime Delicado (2007), em que realidade e encenação ocupavam o centro de uma história que especulava sobre a ocorrência de um estupro.

Neusa Barbosa


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