Insolação

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Nas ruas de uma Brasília desolada e castigada pelo calor, a vida de personagens inspirados na literatura russa se cruzam, se tocam e se transformam.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/03/2010

Levando para o cinema uma parceria que já mantêm no teatro desde 2001, Daniela Thomas (codiretora de Linha de Passe) e Felipe Hirsch dividem a direção de Insolação, que marca a estreia cinematográfica de Hirsch, um premiado diretor teatral, por trás de espetáculos como Avenida Dropsie e Não sobre o Amor. Nesta sexta (26-3), o filme entra em cartaz em São Paulo, juntamente com a nova peça produzida, como de hábito, com direção de Hirsch e cenografia de Daniela, chamada Cinema. Além disso, o filme estreia simultaneamente no Rio de Janeiro.
 
Participante da mostra Horizontes, no Festival de Veneza 2009, Insolação deve seu roteiro a dois dois norte-americanos, o dramaturgo Will Eno – indicado ao prêmio Pulitzer por sua peça Thom Pain - e Sam Lipsyte, autor da coletânea de contos Venus Drive e do romance Home Land, relacionado entre os livros de maior destaque em 2005 pelo jornal The New York Times.
 
Felipe Hirsch conheceu Will Eno a partir de um texto teatral, Temporada de Gripe, que ele montou em 2003. A pedido dos diretores brasileiros, os roteiristas escreveram uma história inspirada em contos de escritores russos, como Tchecov, Turgeniev e Pushkin, o que se traduz nos nomes dos personagens.
 
Apesar de, na época da confecção do roteiro, Eno morar em Londres, Daniela, em São Paulo, e Hirsch, em Curitiba, não houve dificuldades neste trabalho intercontinental entre os quatro. O resultado é uma narrativa fragmentada entre diversos personagens, divididos entre a procura e a perda do amor, no cenário de uma Brasília desolada, como uma cidade deserta, em que paira sobre o ambiente um sol abrasador.
 
Andrei (Paulo José) é uma espécie de fio condutor entre diversos seres desgarrados. Misto de vagabundo e poeta, ele vaga pelo que parece a ruína de uma cidade universitária, cumprindo pontualmente todas as manhãs uma rotina imperturbável: dirigir-se a um quiosque, que parece abandonado, e onde encontra algumas pessoas. A elas, faz perguntas, tentando um truncado contato humano, do qual não desiste, apesar do sucesso limitado, das palavras esparsas que arranca.
 
Uma dessas pessoas é Lucia (Simone Spoladore), moça que procura no contato sexual incessante uma satisfação que nunca encontra. Seu irmão, Vladimir (a revelação Antonio Medeiros), vive uma paixão complicada por uma garota mais velha e com um problema mental, Liuba (Leandra Leal) – dois detalhes que Vladimir prefere ignorar completamente.
 
Às vezes, também aparece Leo (Leonardo Medeiros), que trabalha para um arquiteto (Eduardo Tornaghi), mantendo com ele uma relação serviçal e passiva. A filha do arquiteto, a adolescente Zoyka (Daniela Pepszyck, de O ano em que meus pais saíram de férias), é perdidamente apaixonada por Leo, desprezando a enorme diferença de idade e a chegada de uma jornalista, Ana (Maria Luisa Mendonça), por quem ele se sente atraído.
 
Não há uma trama linear envolvendo todos estes personagens – o que dá ao filme um aspecto teatral, aliado ao tipo de texto que eles dizem. Mas Insolação de modo nenhum poderia passar-se dentro das quatro paredes de um teatro – o espaço aberto, o sol a pino, detalhes opressivos tanto quanto libertadores, ao lado da arquitetura imponente e desolada, são indissociáveis da história. É um outro tipo de cinema, menos narrativo, explorando as facetas em que as diversas artes se tocam, nem por isso menos importante ou necessário que qualquer outro gênero.
 
Para valer o ingresso, bastam os olhos de Paulo José, em determinado momento enchendo toda a tela, embora Insolação seja bem mais do que isso.

Neusa Barbosa


Trailer


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