As melhores coisas do mundo

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Sinopse

Mano (Francisco Miguez) e seu irmão Pedro (Fiuk) acham que o mundo caiu quando seus pais anunciam o divórcio. Mas outras emoções pintam no cotidiano, como as paixões, as conversas com os amigos e aprender a como encarar o cyberbullyng...


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Crítica Cineweb

09/04/2010

A diretora paulista Laís Bodanzky volta ao universo jovem que marcou sua premiada estreia, Bicho de Sete Cabeças (2001), em seu novo filme, As Melhores Coisas do Mundo, em circuito nacional esta semana.
 
Partindo da série de livros Mano, de Heloísa Prieto e Gilberto Dimenstein, o roteiro de Luis Bolognesi – marido e parceiro habitual da diretora – criou asas num processo de pesquisa próprio em escolas de classe média em São Paulo. Como resultado, surgiram temas e problemáticas comuns aos adolescentes não só do Brasil mas de diversos outros países. Caso do divórcio dos pais, dilemas sobre a sexualidade, uso de drogas, fixação na tecnologia e até mesmo um pesadelo bem atual, o cyberbullying – ou seja, o assédio ou constrangimento através do celular e da internet.
 
Mano (o estreante Francisco Miguez) é um garoto de 15 anos, irmão caçula de Pedro (Fiuk, de Malhação). Os dois têm uma vida tranquila, estudando no mesmo colégio. Até o dia em que os pais (Denise Fraga e Zé Carlos Machado) anunciam a separação.
 
Abalado pela notícia, Mano divide as dores com os amigos na escola, como Deco (Gabriel Illanes) e especialmente Carol (Gabriela Rocha). Carol, que é sua confidente, está apaixonada por um dos professores, Artur (Caio Blat, de Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos).
 
Apaixonado pela garota mais bonita da escola, Mano sonha em poder atrair sua atenção. Pensa em fazer isso pela música. Assim, aprende violão com um professor, Marcelo (Paulo Vilhena, de Chega de Saudade), mas insiste para que este o deixe tocar guitarra, que é o seu projeto.
 
As coisas ficam tensas na escola quando começam a circular fotos íntimas da garota dos sonhos de Mano. Logo depois, ele próprio e o irmão são submetidos a outro tipo de constrangimento quando surgem boatos sobre a sexualidade de seu pai. Neste ponto, o filme abre espaço para uma visão bem honesta do preconceito, sem procurar dar lições.
 
A grande qualidade do filme de Laís é manter o foco nos personagens e na naturalidade de seu comportamento. Ao mesmo tempo, equilibra o drama com a comédia, o romance com a ironia, demarcando o grande dinamismo e também a grande instabilidade das emoções adolescentes.
 
Assim, faz um filme sincero e verdadeiro, com o qual adolescentes podem identificar-se e adultos não se aborrecerem. Afinal, todo mundo já foi adolescente um dia.
 
Com As Melhores Coisas do Mundo, a diretora e o roteirista dá uma grande contribuição para oferecer uma obra voltada preferencialmente para a faixa etária que costuma lotar os cinemas em todo mundo e que aqui, incompreensivelmente, vinha sendo bastante desconsiderada.
 
Na mesma linha, embora em outro estilo, foi realizado recentemente Os famosos e os duendes da morte, deEsmir Filho. Em maio, espera-se a chegada ao circuito de outro filme com foco nos jovens e, como o de Laís, com bastante humor: Antes que o mundo acabe, estreia na direção da gaúcha Ana Luiza Azevedo, parceira de Jorge Furtado (O Homem que Copiava) na produtora Casa de Cinema de Porto Alegre.
 
Parece que finalmente diretores e produtores brasileiros acordaram para o potencial das plateias jovens, uma atitude importante também para a formação de público futuro.
 
Em tempo: difícil entender porque o filme pegou censura 14 anos. Nada justifica isso.

Neusa Barbosa


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