Antes que o mundo acabe

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País


Sinopse

Daniel mora numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Divide seu tempo entre escola, amigos e a namorada. Mas isso está prestes a mudar, quando começa a receber cartas de seu verdadeiro pai, um fotógrafo que viaja pelo mundo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

13/05/2010

Há uma sensação de nostalgia que percorre todo o filme Antes que o mundo acabe. É uma melancolia de algo que está no limite, quase no fim. Isso não é por acaso. Afinal, o filme, que marca a estreia em longas de ficção da curtametragista Ana Luiza Azevedo, é sobre ritos de passagem, sobre jovens do interior do Rio Grande do Sul, cuja adolescência está quase acabando e a passagem para a vida adulta é inevitável.

O personagem central é Daniel (Pedro Tergolina), morador de uma pequena cidade gaúcha. A vida se divide entre as aulas no colégio, passeios de bicicleta com a namorada, Mim (Bianca Menti), e o melhor amigo, Lucas (Eduardo Cardoso). Não que o futuro não tenha muitas perspectivas. A questão é que ele não se deu muito ao trabalho de pensar no assunto. Mas, o futuro sempre chega. A cidade não oferece muitas opções para estudo ou trabalho e a mudança para Porto Alegre, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

Mas há algo, além disso, que incomoda Daniel: ele tem recebido cartas de um homem que compartilha seu nome (a irmã caçula até brinca dizendo que ele recebeu uma carta dele mesmo) e, a cada momento, está num lugar diferente do mundo. Aos poucos, o roteiro engenhoso, assinado pela diretora, Paulo Halm, Giba Assis Brasil e Jorge Furtado – baseado num romance de Marcelo Carneiro da Cunha –, revela o que há por trás desse mistério, e um drama familiar começa a ganhar contornos.

Daniel, pai, interpretado por Eduardo Moreira (O ano em que meus pais saíram de férias), é um fotógrafo que há tempos caiu no mundo e nem conheceu o filho. A mãe, Elaine (Janaína Kremer, de Cão sem dono), e o padrasto, Antonio (Murilo Grossi, de A Concepção), cuidam do menino, com quem têm uma boa relação. A caçula, Maria Clara (Caroline Guedes), faz muito bem o papel de irmã mais nova, ou seja, existe para atormentar a vida do irmão e ser infernizada por ele.

Quando Antes que o mundo acabe chega ao impasse do triangulo amoroso, quando Lucas e Daniel se veem apaixonados por Mim, o longa flerta com Jules e Jim – Uma Mulher para Dois, de François Truffaut – especialmente numa cena numa feirinha quando o trio viaja para Porto Alegre. É uma situação desconfortável para os três personagens essa delicada trama amorosa porque tudo é novidade nessa fase da vida, e eles não sabem muito bem como lidar com seus sentimentos. Assim, todas as emoções, alegrias e dores ficam desproporcionais e mais intensas. Jovens não sofrem por amor, eles simplesmente estão a ponto de morrer quando são abandonados pela grande paixão de sua vida.

Mas há outro filme, uma espécie de primo desse de Ana Luiza, com que o longa dialoga muito bem. Trata-se de A última sessão de cinema, um filme pra lá de melancólico de Peter Bogdanovich, baseado no romance homônimo de Larry McMurtry e filmado num preto-e-branco nostálgico. Esse longa trata de dois amigos, numa pequena cidade dos Estados Unidos, que dividem as mesmas frustrações, dores e a paixão pela mesma garota.

Embora a faixa etária dos personagens do filme de Bogdanovich seja maior, a sensação de melancolia, de nostalgia antecipada por algo que está prestes a terminar é compartilhada por Antes que o mundo acabe. São jovens em busca de seus lugares no mundo, sofrendo com as dores do crescimento, com a melancolia das perdas, das decepções amorosas. Ana Luiza capta muito bem a vida numa cidade pequena, a necessidade de abandonar tudo aquilo que era seu mundo até então, pois este ficou pequeno demais.

Antes que o mundo acabe ganhou alguns dos principais troféus no Festival de Paulínia do ano passado – entre eles, prêmio da crítica, de direção e de fotografia (assinada por Jacob Solitrenick, de Falsa Loura, É proibido fumar). A palavra “mundo” no título ganha, no filme, significados metafóricos. O mundo desses personagens é a adolescência, a juventude que, invariavelmente, um dia vai acabar. Ao lado do filme de Laís Bodanzky (As melhores coisas do mundo), o filme de Ana Luiza aborda uma faixa etária e se dirige a um público geralmente negligenciado pelo cinema brasileiro. Um fala da juventude urbana, o outro daquela da cidade pequena. Mas os dois mostram que jovens têm uma coisa em comum, independentemente do endereço: a vontade de ganhar o mundo.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 14/08/2011 - 17h20 - Por Lenara Santos da Cruz eu amei esse filme quando olhei pq ele é mt bom !!!!!!
  • 08/09/2011 - 19h14 - Por Aliiciia Stefaniie Quee Liindiinhoo
  • 07/12/2011 - 19h19 - Por Isadora ai o Pedro Tergolina é realmente um gato
  • 23/06/2012 - 10h41 - Por themis eu achei demais eu olhei mais de 100000000000 vezes eu ammmmmmmmmmei ccchhhhhhhhhou
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