O Profeta

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Sinopse

Jovem de ascendência árabe é preso e levado para uma penitenciária na França. Lá, ele traça um caminho de ascensão no submundo, dominado pela máfia corsa.


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Crítica Cineweb

11/06/2010

Drama de prisão enérgico e vigoroso, O Profeta, do diretor francês Jacques Audiard, vem sendo consagrado desde sua primeira exibição, no Festival de Cannes 2009, de onde saiu com o Grande Prêmio do Júri, o segundo em importância. Não fosse o impacto da produção franco-teuto-austríaca A Fita Branca, de Michael Haneke, que arrebatou a Palma de Ouro, talvez ficasse para Audiard o troféu maior de Cannes, tamanha a impressão que vinha causando.
 
Sua consagração, na França – onde venceu 9 troféus César, inclusive melhor filme, roteiro e direção – e fora dela (venceu um Bafta na Inglaterra e foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro), de todo modo, fez justiça às qualidades do filme. Sem abordar um tema novo, o mundo de uma prisão, consegue aproximar-se desse microcosmo com força narrativa, imprimindo um ritmo alucinante à irresistível ascensão de uma nova liderança entre os marginais.
 
Com currículo modesto antes do filme, basicamente de papeis em TV e pontas em cinema, o jovem ator Tahar Rahim, de 29 anos, acumulou prêmios por sua interpretação visceral deste novo líder bandido – Malik El Djebena. Francês de origem árabe, ele é condenado aos 19 anos à sua primeira sentença de adulto, numa cadeia controlada pela máfia corsa, tendo à frente o implacável César Luciani (Niels Arestrup, de De tanto bater meu coração parou, trabalho anterior do diretor Audiard).
 
A entrada neste submundo dominado pela lei do cão, onde novatos não podem recusar nenhum serviço a Luciani – nem mesmo o assassínio de seus desafetos – é acompanhada pelo olhar de Malik. Fruto do abandono pelos pais e de uma infância marginal, sozinho ele mede suas forças contra essa esmagadora estrutura encontrada na prisão - onde não pode recorrer sequer à direção, igualmente subordinada aos poderes da máfia corsa, à custa de afinidades étnicas ou simples suborno.
 
A estadia na cadeia será, para Malik, um lento e doloroso aprendizado. Árabe não religioso, ele enfrenta a rejeição de sua própria comunidade, especialmente por ser capanga dos corsos. Estes, por sua vez, enxergam nele não mais do que um serviçal, que julgam incapaz de compreender qualquer coisa, inclusive sua língua. Ninguém avalia o turbilhão interior de Malik, nem sua incrível capacidade de observar e aprender.
 
Um dos pontos fortes do roteiro escrito a quatro mãos pelo diretor Audiard e outros três roteiristas – Thomas Bidegain, Abdel Raouf Dafri e Nicolas Peufaillit – está na composição consistente destes personagens da prisão. Destacam-se, além de Rahim e Arestrup, algumas figuras fundamentais para a evolução do protagonista, como Reyed (Richem Yacoubi), homem assassinado por Malik e cujo fantasma se torna uma espécie de consciência e alterego, e o amigo Ryad (Adel Bencherif), peça essencial para seu progresso para tornar-se um poderoso chefão.
 
Retratando um universo em que a lei e a ordem são meras aparências, Audiard também traça um sombrio retrato do mundo prisional francês. Não há qualquer heroi, dentro ou fora das grades, apenas seres humanos submetidos a um jogo infernal de sobrevivência e poder.
 
Da mesma forma, o diretor francês de modo algum banaliza a violência ou a glamouriza de qualquer modo. Há sequências de assassinato que são duras de assistir, mas são fundamentais para tornar claros o processo e o ambiente que produzem esta espécie de homens.  

Neusa Barbosa


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