Vincere

Vincere

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 15 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Antes de subir ao poder, Mussolini contou com o amor e o apoio de Ida Dalser, uma mulher que vendeu tudo o que tinha para financiar seu jornal. Depois, ele se afasta dela e sempre se nega a assumir sua ligação, bem como seu filho com ela. Por conta disso, a história de Ida sempre foi página mal conhecida na Itália.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

02/07/2010

Vincere, de Marco Bellocchio, é menos sobre Benito Mussolini, o ditador que mergulhou a Itália numa idade das trevas nos anos 30 e 40, e mais sobre a construção de uma mitologia política que leva todo um povo e um pais a abrir mão da própria autonomia de ação e pensamento, em prol de ser guiado por uma espécie de pai patrão. Um processo que, como a História mostra, aconteceu não só na Itália naquele momento.E em todo tempo e lugar conduziu a resultados trágicos.
 
Também é original a maneira como o filme retrata a figura de Mussolini, optando por colocar em primeiro plano justamente um episódio que o ditador excluiu de sua biografia  oficial: a existência de Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno), amante que vendeu tudo o que tinha para financiar um jornal do futuro governante fascista. Mãe de um filho que levou seu nome, por insistir em não ser ocultada aos olhos do público, reivindicando seus direitos, ela acabou internada num hospício, onde morreu.
 
Sóbrio e rigoroso, com uma escolha de cores sombrias, em que às vezes pontua um vermelho ambíguo para assinalar a paixão e a carnificina, Vincere empresta seu nome do lema fascista que evoca a vitória constante e a qualquer preço. E reconstitui a época com impressionante precisão não só recuperando a estética dos filmes fascistas, com seus lemas grandiloqüentes projetados em imensas maiúsculas em primeiro plano, como pelo uso consistente de materiais de arquivo.
 
Um recurso extremamente eficaz é ter um ator (Filippo Timi) interpretando apenas o Benito jovem e, mais tarde, seu filho com Ida. O Mussolini no poder, aquele baixinho histriônico dos discursos famosos, é evocado em filmes ou retratos da época. Assim sendo, o espectador do filme compartilha com Ida, no período em que foi confinada, a visão limitada ao homem público projetado nessas imagens de mídia, que construíam o mito. O homem particular sumiu de seu convívio, negou sua relação e, depois, cancelou a própria existência de Ida. Seu filho não teve sorte muito melhor.
 
Um dos poucos remanescentes ativos de uma das mais brilhantes gerações do cinema italiano, a que pertenceram Federico Fellini, Luchino Visconti, Elio Petri e Ettore Scola (este, ainda vivo, mas inativo), Bellocchio compõe um de seus melhores filmes políticos, na boa acepção da palavra, sete anos depois do magistral mergulho na tragédia das Brigadas Vermelhas, Bom dia, noite (2003).

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança