Cabeça a prêmio

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País


Sinopse

Poderoso traficante, Mirão tem a seu serviço dois matadores de aluguel e um piloto argentino, que faz o transporte das drogas além da fronteira brasileira. A filha de Mirão, Elaine, apaixona-se pelo piloto, Denis. O amor proibido precipita ações arriscadas. A morte ronda de perto.


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Crítica Cineweb

28/07/2010

Cabeça a prêmio, que marca a estreia na direção de longas do ator e diretor de teatro Marco Ricca (O Invasor), é, até certo ponto, sobre famílias de contraventores. No caso, são os irmãos Miro (Fúlvio Stefanini, de Caixa Dois) e Abílio (Otávio Müller, de A mulher do meu amigo). Eles não chegam ao poder político e monetário dos Corleone de “O Poderoso Chefão”, mas também não são pé de chinelo, como aquela família que rouba carros em Nossa vida não cabe num opala. Os irmãos são pecuaristas e também traficantes de drogas para aumentar a renda e continuarem bem de vida.
 
O roteiro é assinado pelo próprio diretor e Felipe Braga e contou com a colaboração do escritor Marçal Aquino (O invasor, Matadores), autor do livro homônimo adaptado no filme. A narrativa de “Cabeça a prêmio” move-se dentro de um grupo de personagens que cercam essa família. Como figuras de ficção, alguns são mais desenvolvidos, outros não levantam o voo prometido na primeira metade - como é o caso do matador Brito, vivido por Eduardo Moscovis, cuja história torna-se acessória na trama.
 
Isto vem de uma mudança de foco da obra original para a adaptação cinematográfica. Há duas narrativas. A primeira se concentra em Brito e seu colega de profissão, Albano (Cássio Gabus Mendes, de Chico Xavier), e a segunda em Elaine (Alice Braga) e o piloto de avião Denis (o uruguaio Daniel Hendler, de As Leis de Família). Ela é a filha rebelde e mimada de Miro, que vive uma paixão tórrida com o funcionário do pai, cuja vida passa a correr risco à medida em que o romance do casal ganha força.
 
Denis é a testemunha que pode colocar o pai e o tio de Elaine na cadeia. Por isso, a moça tem um dilema moral forte e torna-se a personagem mais interessante. A certa altura, seu namorado diz que tudo dará certo para eles, ao que ela comenta: “Para tudo dar certo pra gente, é preciso que tudo dê errado para o meu pai”.
Cabeça a prêmio trabalha em cima desses personagens humanamente contraditórios que cometem crimes, mas também atos de bondade. O próprio Brito, um matador de poucas palavras e emoções contidas, explode de amor que se transforma em ciúme quando conhece uma dona de bar (Via Negromonte, de Chico Xavier). A melhor definição para estes pessoas vem de seu colega Albano: “A gente é bom. Só que está do lado errado”. Quando um grande conflito interno como esse fica evidente, é que o filme de Ricca ganha força.
 
A narrativa passa-se numa região fronteiriça entre Brasil, Bolívia e Paraguai, o que funciona como uma metáfora para os personagens de Cabeça a prêmio, que transitam sem muitos escrúpulos entre os dois lados da lei ou de sua moral pessoal.
 
Ator experiente de cinema, teatro e televisão (atualmente, na novela Ti-ti-ti), Ricca estreia na direção de cinema com segurança e boa condução dos atores e da narrativa. Alguns problemas, como o distanciamento emocional e a falta de desenvolvimento de algumas tramas não diminuem a qualidade deste trabalho promissor.

Alysson Oliveira


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