A origem

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Sinopse

A mais nova modalidade de crime é o roubo de ideias durante os sonhos. O maior especialista é Dom Cobb (Leonardo Di Caprio). Com um problema familiar obscuro, ele é procurado por um bilionário para fazer o contrário: implantar uma ideia no subconsciente de um de seus concorrentes.


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Crítica Cineweb

02/08/2010

Christopher Nolan teria passado dez anos escrevendo o roteiro de A Origem – o estranho título brasileiro para seu novo trabalho, Inception. Ao assistir a esta audaciosa ficção científica, é possível entender porque ele levou todo esse tempo.
 
A matéria-prima da história são os sonhos, não em si mesmos, mas como território para uma nova modalidade de crime – o roubo de ideias de pessoas enquanto estão dormindo, quando ladrões invadem seus sonhos. O maior especialista nesta audaciosa espionagem industrial do subconsciente é Dom Cobb (Leonardo Di Caprio), que trabalha armado de um arsenal que inclui drogas poderosas, equipamentos de última geração e um time de auxiliares de primeira. Entre eles, o primeiro-assistente, Arthur (Joseph Gordon-Levitt), o designer de ambientes Nash (Lukas Haas), o químico Yusuf (Dileep Rao) e o faz-tudo Eames (Tom Hardy).
 
Até agora, o trabalho básico de Dom foi extrair ideias, ganhando muito com isso no competitivo mundo corporativo. Até que aparece Saito (Ken Watanabe), um bilionário que o procura para fazer justamente o contrário: implantar uma ideia na cabeça de outro ricaço seu concorrente, Robert Fischer (Cillian Murphy), levando-o a dividir o império que está para herdar do pai moribundo (Pete Postlethwaite).
 
A missão é arriscada, mas não impossível. E Dom tem uma razão especialíssima para aceitar – Saito lhe oferece a possibilidade de eliminar o problema que o está impedindo de voltar aos EUA, para junto de seus filhos. Uma situação que tem a ver com o inquietante fantasma (ou é apenas memória?) de sua mulher, Mal (Marion Cotillard), que atormenta todos os sonhos de Dom. Aliás, por conta de seu trabalho, ele só consegue sonhar com auxílio de seus aditivos químicos.
 
Na primeira metade do filme, Nolan empenha-se em definir os limites deste fascinante mundo imaginário, que funciona movido por leis próprias. Não é fácil seguir a narrativa, especialmente depois que se instalam os sonhos dentro dos sonhos necessários à missão na mente de Fischer. Atuando como uma espécie de guia do espectador, que fará algumas das perguntas que este poderia fazer, entra em cena Ariadne (Ellen Page, de Juno), a nova arquiteta que substitui Nash na idealização dos cenários dos sonhos – ferramenta essencial para produzir ilusões que ajudem a enganar o sonhador que teve sua mente invadida. De Ariadne, como o nome sugere (lembrando a lenda grega de Teseu e do Minotauro), Dom espera que crie um labirinto muito especial, do qual só sua equipe consiga sair.
 
A Origem tem muita ação, perseguições, lutas, tiros, mas com direito a muitas situações surreais – a cidade de Paris dobrando-se sobre si mesma, como se fosse de papelão, voos de carros e pessoas, desabamento de prédios em série, engolidos por água, e muito mais. A turma de efeitos especiais trabalhou bem, mas os dublês foram mais requisitados ainda, porque Nolan procura uma espécie de realismo dentro do sonho que lhe dê uma certa verossimilhança.
 
Ainda assim, dentro dos sonhos, vale tudo – os colegas de Dom assumem disfarces e é possível escapar deles ‘morrendo’. Mas também há o risco de cair num limbo e não voltar mais. Pode-se dizer que a imaginação de Nolan foi longe e que criou um novo território na mitologia do cinema. Certamente, ele não inventou tudo isto do nada – deve algo a Matrix, dos irmãos Wachowski, e, de certo modo, a Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry, e também a si mesmo, como autor do roteiro de seu próprio filme, Amnésia (2000, inspirado num conto escrito por seu irmão, Jonathan Nolan). Tudo isto é natural: ninguém vai esperar que, com o cinema atingindo 115 anos de idade, uma ideia surja pura de qualquer influência. O que não tira o mérito de Nolan de ter desenvolvido um universo movido por suas próprias leis e que poderá gerar novas sequências. O sucesso deste primeiro filme parece indicar neste caminho.
 
Se dá para sentir falta de alguma coisa é de uma certa variação no cenário destes sonhos, talvez excessivamente calcado no universo masculino dos filmes de ação. Quem sabe em próximas investidas, se houver, se possa dedicar mais tempo a imaginar alguns outros lados do subconsciente humano onde, como Freud tão bem revelou, escondem-se os medos e desejos mais secretos e inusitados. Um pouco da ambiguidade, erotismo e do especial sentido de humor dos espanhois, como Luis Buñuel e Pedro Almodóvar (como esquecer o segmento O Amante Minguante de Fale com Ela ?), não faria nenhum mal.
 
Em tempo – o título A Origem realmente não quer dizer nada. Muito melhor seria Invasores de sonhos, ou algo parecido. Nesse aspecto, a imaginação do distribuidor brasileiro não funcionou à altura da de Nolan.
 
No Oscar 2011, o filme venceu quatro prêmios: melhor fotografia, edição de som, mixagem de som e efeitos visuais.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 06/08/2010 - 08h51 - Por Rafael Me desculpe, mas como alguém que já viu o filme na Cabine de Imprensa posso dizer que esta "crítica" tem spoilers completamente dispensáveis. Não há necessidade de entrar em pormenores da trama, este filme se realiza por meio da construção de um mundo, e resumir não estraga a experiência completamente, mas é desnecessário e amador.
  • 07/08/2010 - 17h03 - Por Neusa Barbosa Caro Rafael:
    O se diz numa crítica, o que se detalha ou não,fica a critério de quem escreve. Daí, o que eu escolhi contar- e há muito que não contei, é óbvio - pode ser ou não um spoiler. Respeito sua opinião a respeito, mas aguardo outras.
    Agora, chamar de "amador", me desculpe,é uma impropriedade. Sou profissional da crítica há pelo menos 20 anos. Então, acho que você precisa aprender a usar melhor os adjetivos.
    boa sorte,

    abs

    Neusa
  • 12/08/2010 - 23h38 - Por Helena Neusa, suas críticas são sempre ótimas, como esta. Acabei de ver o filme e acho que é um texto que pode ser lido tanto antes quanto após a sessão sem problemas. Abç.
  • 17/08/2010 - 08h23 - Por Neusa Barbosa Oi Helena, muito obrigada! Abç
  • 20/08/2010 - 16h55 - Por Caio [AVISO - PODE CONTER SPOILER].

    O que eu acho que faltou no filme, aliás, o que sobrou no filme foi explicação. Talvez se o Nolan tivesse ousado e removido o blá-blá explicativo, deixando que as histórias (os sonhos) se misturassem, apenas com a mudança da sequência, o telespectador ainda poderia ter o filme organizado na mente, já que a estrutura de sonhos do Nolan não é tão complexa quanto a do David Lynch, por exemplo. Além disso, o impacto do final ainda seria mais drástico, pois parecia finalmente ao telespectador que ele está situado na história quando na verdade ficaria a grande dúvida da forma que ele acaba o filme. Talvez pelo orçamento (e aí o tradeoff que ele deve ter feito com o estúdio) se tenha inserido tanta explicação, mas o filme é muito ainda sim.
  • 25/08/2010 - 13h01 - Por helder "Quem sabe em próximas investidas, se houverem, se possa dedicar mais tempo "
    Haver, no sentido de existir não não tem plural, certo?
  • 26/08/2010 - 10h46 - Por Neusa Barbosa Oi Helder, vc está certo. Já corrigi! Obrigada pelo toque. E gostaria de saber o que achou do conteúdo da crítica, da próxima vez que escrever, tá bom?

    abraço

    Neusa
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