Reflexões de um liquidificador

Reflexões de um liquidificador

Ficha técnica

  • Nome: Reflexões de um liquidificador
  • Nome Original: Reflexões de um liquidificador
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2010
  • Gênero: Comédia
  • Duração: 80 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: André Klotzel
  • Elenco: Ana Lúcia Torre, Selton Mello

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Sinopse

Elvira é uma dona-de-casa solitária, cujo liquidificador, estranhamente, começa a conversar com ela. Ao longo do tempo, ele se torna seu melhor amigo e cúmplice.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/08/2010

Em Reflexões de um Liquidificador o eletrodoméstico que está no título do filme reclama a certa altura da capacidade que tem de entender a tragédia das pessoas. Esta habilidade, aliás, é uma benção ou maldição que o afetou depois de uma manutenção. Selton Mello dubla o aparelho, com o cinismo um tanto doce que lhe é peculiar.
 
Como não podia deixar de ser, essa comédia de muito humor negro, no qual um dos protagonistas é um liquidificador falante, pede a suspensão dos laços com a realidade. Não é um filme realista, mas, claro, passa-se num mundo real onde licenças poéticas são necessárias para o andamento da história.
 
Dirigido por André Klotzel (Marvada Carne, Capitalismo Selvagem), a partir de um roteiro de José Antonio de Souza, o filme tem como personagem central a dona de casa Elvira, interpretada pela ótima Ana Lúcia Torre. Ex-dona de bar, com o marido Onofre (Germano Haiut, de “O ano em que meus pais saíram de férias”), ela passa os dias na cozinha enquanto ele faz bico como segurança. Para ganhar um dinheirinho extra, ela também empalha bichos que ele vende numa feira.
 
Esta é a rotina do casal até o dia em que ela entra numa delegacia de polícia para dar queixa do desaparecimento do marido. O delegado (Zecarlos Machado) já vai avisando que, automaticamente, Elvira é a primeira suspeita. O investigador Fuinha (Aramis Trindade, de Meu nome não é Johnny) começa a seguir a mulher. Em casa, seu único amigo é o liquidificador, que dialoga com ela ouvindo suas reclamações e aflições. A vizinha (a engraçada Fabiula Nascimento, de Estômago) aparece de vez em quando para conversar.
 
Elvira nos faz lembrar da personagem inglesa Shirley Valentine, protagonista do filme e peça de teatro homônimos, de 1989. Aqui, no entanto, em vez de dialogar com as paredes, como a protagonista daquele filme, ela fala com o liquidificador, num diálogo absurdo mas encarado com naturalidade. Reside nesse fato, aliás, boa parte da graça da história. Assim como na afinada química entre Ana Lúcia e o equipamento que, mesmo sem vida, é o seu melhor amigo.
 
Klotzel não tem medo de ir além dos limites, sem nunca cair em escatologias ou baixarias, em prol de um humor bizarro, mas bastante divertido, construído em cima de diálogos e situações.
 
Reflexões de um liquidificador estreou originalmente em SP num esquema diferenciado, entrando em cartaz numa segunda-feira, em uma sala. Além disso, todas as sessões contaram com a exibição de um curta-metragem. E as duas últimas exibições de cada dia trouxeram um show de comédia de stand up. O diretor pretende levar o longa para outras cidades e planeja também um lançamento diferenciado para cada local.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 10/11/2010 - 23h33 - Por Infeto "Psiu, Elvira, Elvira, aqui, sou eu... o liquidificador" é assim que começa o extravagante relacionamento entre Elvira (Ana Lúcia Torre) e seu Liquidificador (Voz de Selton Melo), que logicamente pensa que está caduca, mas ao ter que explicar o que é caduquice ao seu novo amigo, descobre que arranjou realmente um diferente e sagaz aliado. Um filme quimérico, como poucos feitos aqui no Brasil, atípico certamente muito diferente das coisas que os telespectadores brasileiros estão acostumados a degustar. Reflexões de um Liquidificador é um filme irreverente e absurdamente surpreendente em tudo que se possa imaginar. Um elenco pequeno, mas que não deixa nada a desejar. Cheguei a imaginar outra pessoa no lugar de Ana Lúcia Torre, talvez Laura Cardoso, mas aos poucos fica claro que não há mudança necessária, essa atriz da um show de interpretação e torna-se insubstituível nesse longa.
    Um liquidificador que depois de ter uma de suas peças trocadas, ganha vida e desencadeia a particularidade de ver, ouvir, pensar e refletir sobre o mundo ao seu redor. Passa os dias fazendo vitaminas e sucos dos mais variados tipos e para um grande número de fregueses da lanchonete que seus donos possuem - Dona Elvira e Seu Onofre. Depois do fechamento da lanchonete ele passa a ser um utensílio doméstico e se sentindo cada vez mais solitário resolve se apresentar a sua dona, que por sua vez, leva uma vida de dona de casa num bairro periférico, só tendo contato com seu esposo, que após o fechamento da lanchonete, conseguiu um emprego de vigia noturno, o Carteiro, sua vizinha muito bem interpretada por Fabíula Nascimento e o seu liquidificador. A intensificação da relação entre os dois se dá em torno do desaparecimento de Onofre, o esposo de Elvira, que agora fica em casa o dia todo sozinha com o liquidificar, tendo apenas as visitas da vizinha Milena, do Carteiro e do Investigador que fora designado para cuidar do caso do desaparecimento. Na medida em que a trama vai se desenrolando, não se sente falta de outros personagens, pois os diálogos entre o liquidificador e sua dona são mais que suficientes para manter o telespectador saciado diante da tela e ao ser desvendado o desaparecimento de seu Onofre é revelada a ligação macabra entre Elvira e seu cúmplice eletrodoméstico em uma das cenas mais excitantes, sádica, perversas e excêntricas que o cinema brasileiro certamente até hoje já pôde produzir, a coisa é tão bem feita, mas tão bem feita que o que poderia ser chocante, escandaloso e hediondo, torna-se totalmente agradável, leve, necessária, reveladora e inspiradora.
    Reflexões de um Liquidificar traz planos, enquadramento e montagem de cenário perfeitas, humor negro, diálogos contundentes filosóficos de um motor e uma atmosfera cômica sombria sobre toda a situação inusitada, mas em momento alguma faz parecer "absurda ou exorbitante". Como diz o Liquidificar, "ser máquina, ser motor, aliás, não ser gente já é uma forma de ser feliz.", e isso é passado delicadamente aos telespectadores, afinal "moer é pensar, pensar é moer" e certamente esse filme garantirá a certeza de moer muita coisa além de altas gargalhadas.

    http://poesiafotocritica.blogspot.com
  • 26/04/2015 - 22h19 - Por Robinson em qual bairro de são Paulo fica a casa da Euvira ?
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