José e Pilar

Ficha técnica

  • Nome: José e Pilar
  • Nome Original: José e Pilar
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Portugal
  • Ano de produção: 2010
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 125 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Miguel Gonçalves Mendes
  • Elenco:

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País


Sinopse

O escritor português José Saramago (que morreu em junho) e a jornalista espanhola Pilar del Río viveram juntos por mais de 20 anos, na idade madura do autor. O documentário reconta este relacionamento e vários momentos da rotina do escritor, em casa, em suas viagens e com seus leitores.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/10/2010

Mesmo sendo um documentário, José e Pilar é um dos filmes mais românticos a que se pode assistir – porque a verdade desse romance de mais de duas décadas entre o escritor português José Saramago (falecido em junho de 2010) e a jornalista espanhola Pilar Del Río emerge com força pela capacidade que o filme assinado pelo diretor Miguel Gonçalves Mendes mostra ao capturar momentos qualificados desse relacionamento.
Todos conhecemos, mal ou bem, o José Saramago vencedor do Prêmio Nobel de Literatura – único, até agora, para a língua portuguesa -, autor de livros como “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “Ensaio sobre a Cegueira” (levado às telas do cinema pelo brasileiro Fernando Meirelles, um dos produtores deste documentário), “o Evangelho segundo Jesus Cristo”, “Caim”, e tantos outros. O homem sincero e polêmico, pelo menos diante de quem não aceitava sua completa adesão ao ateísmo e ao esquerdismo, acima deles, ao humanismo. Adesões essas que levaram não poucos a dirigir-lhe cartas agressivas – como uma em que uma pessoa “lamenta que não exista mais a inquisição, para vê-lo arder em praça pública numa fogueira”.
Mas nem todos conhecíamos tão bem quanto este documentário permite o caráter de Pilar Del Río, que emerge das imagens muito maior do que a mera “mulher atrás do grande homem”. Personalidade forte, tão franca e engajada quanto o marido, Pilar mostra-se uma interlocutora à altura de Saramago, com quem ele discutia todos os assuntos. Uma conselheira para todas as horas, com capacidade de discordar dele furiosamente – como se vê numa conversa entre os dois, na casa de amigos, sobre as então iminentes eleições norte-americanas, ele a favor da candidatura de Barack Obama, ela defendendo com unhas e dentes Hilary Clinton, que então disputava com o hoje presidente a indicação pelo Partido Democrata.
Seja na paisagem de beleza selvagem da ilha de Lanzarote, onde o casal viveu nos últimos anos, seja viajando pelo mundo, é possível compartilhar a rotina fértil e frenética do escritor e da jornalista – que traduzia para o espanhol os livros do marido, quase simultaneamente à sua escritura. Para Pilar, numa entrevista singularmente esclarecedora de sua natureza, “cansaço não existe”. Por isso, ela e Saramago abraçavam tantos convites para palestras, congressos e acompanhamento de algumas adaptações de sua obra em outros meios.
Duas destas viagens mostram o enorme alcance da obra do autor português – uma ópera na Finlândia, sobre personagens tirados de “Memorial do Convento”; e uma peça no México em torno de “As intermitências da morte”, em que Saramago contracena, no próprio papel, com o ator Gael García Bernal.
Uma conversa com Gael e diversos lançamentos de livros permitem testemunhar alguns comportamentos espantosos diante da celebridade, este um inquietante mal de nossos tempos. Os mais constrangedores vêm de jornalistas em coletivas de imprensa – repetindo perguntas- clichês ridiculamente iguais – e, mais ainda, os pedidos exóticos dos fãs do escritor. O mais estranho deles, talvez, o de um jovem brasileiro, que pede a Saramago que lhe desenhe um hipopótamo no livro que está para autografar.

Neusa Barbosa


Trailer


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