A rede social

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Sinopse

Um jovem gênio de Harvard cria um site de relacionamentos. Mas ele mesmo tem pouca habilidade de se relacionar com as pessoas no mundo real. Com o tempo, sua invenção se torna alvo de um processo judicial de colegas que reivindicam crédito na autoria.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

02/12/2010

Um nerd sem habilidades sociais, mas querendo se tornar descolado. Um par de gêmeos mauricinhos com dinheiro e ideias, mas não espertos o bastante para as executá-las. Um brasileiro estudando em Havard com mau gosto para roupas e movido pelo eterno impulso de satisfazer o pai. Benvindo à era das relações de mentirinha de A Rede Social, em que as emoções e expressões estão apenas a um toque de distância.
 
Dirigido por David Fincher (O curioso caso de Benjamin Button, Clube da Luta), a partir de um roteiro, vencedor do Oscar, de Aaron Sorkin, baseado no livro “Bilionários por acaso”, de Ben Mezrich, o filme tem como mote o nascimento do Facebook, mas seria reducionista demais dizer que trata apenas dos bastidores da criação de um site. A rede social aspira, e consegue em boa parte do tempo, ser o retrato de uma geração que nasceu com o boom da internet e, ao chegar à idade adulta, descobre que a interação humana não é necessária para haver interatividade.
 
O filme começa com diálogos incessantes e pouco importa o que se depreende deles. O objetivo é entender que os jovens se interessam por informação – em alta quantidade, independente de sua qualidade ou profundidade. O mesmo se aplica aos relacionamentos, sejam amorosos ou simples amizades. Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, de Zumbilândia) difama sua namorada Erica (Rooney Mara) na internet depois de levar um fora dela. Não bastasse isso, inventa um site onde garotas “competem” por votos para serem escolhidas as mais bonitas de Harvard.
 
O que começa com uma brincadeira torna-se alvo de um processo milionário, envolvendo a criação de um site de relacionamentos que mais tarde viria – e é até hoje – a ser conhecido como Facebook. Ele enfrenta os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) e o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), sempre com a mesma pose parte blasé, parte nerd.
 
Zuckerberg é uma figura paradoxal. Com pouco trato para laços sociais, torna-se o criador do site de relacionamentos mais usado do mundo. Apesar de manter os nomes reais dos personagens, o filme de Fincher não se preocupa em ir, no que se refere à questão de biografia, além daquilo que já se conhece da repercussão da criação do site, dos processos e tudo o que os envolvem. O diretor cria A rede social com um thriller sobre disputas intelectuais e relacionamentos reduzidos a códigos de computação.
 
Logo de início, é Eduardo quem ganha a simpatia do público como um personagem frágil e sempre preocupado em não decepcionar seu pai. Mark, ao contrário, é sutilmente arrogante. Com olhar soturno, parece não deixar de analisar nenhum ângulo de qualquer situação – o que parece transformá-lo numa figura fria e calculista.
 
Só com a entrada de Sean Parker (Justin Timberlake), Mark vai se convencer da possibilidade de ganhar dinheiro com o site. Sean, um dos criadores do Napster, que revolucionou a forma como as pessoas distribuem música, ganha a confiança de Mark com seu modo divertido e bon vivant e se tornam parceiros.
 
Fincher sempre foi um diretor de apuro técnico o que, muitas vezes, esfria seus filmes ou deixa as emoções enterradas bem lá no fundo. Aqui essas características são bem pertinentes. Os jovens criadores do Facebook são herdeiros – ou porque não filhos? – daqueles yuppies depressivos de Clube da Luta. Se distribuir socos era uma forma de interação social no filme de 1999, aqui, uma conexão com a internet pode trazer efeitos ainda mais perigosos do que uma noite de troca mútua de sopapos.  
 
A rede social é um daqueles filmes que chegam a ser assustadores pela capacidade de captar com tanta sagacidade o momento em que vivemos. Daqui a alguns anos, quando outras obras se debruçarem novamente sobre esse período, provavelmente o retratarão com senso mais crítico – mas sem o frescor de levar para a tela a vida do lado de fora do cinema naquele momento.
 
O filme venceu três Oscar: além de roteiro adaptado, também trilha sonora e montagem.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 08/03/2011 - 17h21 - Por Gabriel Moraes O melhor filme do ano.Ponto final.
  • 12/06/2011 - 23h40 - Por Rafael O filme da decada (ponto final)
  • 04/05/2017 - 20h20 - Por Camily Yasmin da silva Eu gosto muito rede social
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