Meu mundo em perigo

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País


Sinopse

Elias é um fotógrafo desempregado que enfrenta a mulher pela guarda do filho. Um dia, atropela um homem e foge. Num hotel no centro de S. Paulo, Elias encontra Ísis, uma moça que também foge do passado e do presente.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/12/2010

Terceiro longa do diretor paulista-brasiliense José Eduardo Belmonte, Meu Mundo em Perigo correu o inacreditável perigo de ficar inédito no circuito brasileiro. Nem suas evidentes qualidades, nem os prêmios recebidos no Festival de Brasília 2007 – melhor filme para a crítica, melhor ator (Eucir de Souza) e melhor ator coadjuvante (Milhem Cortaz) – encorajavam os distribuidores, que temiam a melancolia da história como uma maldição.
 
Superado o preconceito, a história desfia nas telas sua beleza humanista, encharcada de intimismo poético. Os personagens vivem como seres humanos inteiros e verossímeis, ao mesmo tempo em que falam como (inspirados) poetas. Não é uma mistura simples, mas Belmonte, apoiado num roteiro do ator e dramaturgo Mário Bortolotto, consegue a façanha. Sem esquecer, é claro, da visível e reconhecida participação dos atores na composição e temperatura das cenas.
 
Elias (Eucir de Souza) é um fotógrafo desempregado, em luta contra a ex-mulher (Justine Otondo) para manter a guarda do filho de 8 anos (Rafael Henrique Miguel). Num dia de descontrole, ele pega o carro, atropela e mata um velho homem (Wolney de Assis), pai de Fito (Milhem Cortaz). Em fuga, Elias refugia-se num hotel do centro velho de São Paulo, atraído pela presença de uma jovem misteriosa, Ísis (Rosane Mulholland).
 
É um universo humano mínimo, em que as emoções em voltagem máxima são retratadas por um uso particularmente inteligente da câmera, que foge das tomadas óbvias. Assim, a batalha pela guarda do menino nos corredores do tribunal é captada por closes rápidos nos rostos e nas bocas dos atores, reproduzindo a histeria palavrosa da situação com a máxima eficiência.
 
Da mesma forma, foge-se do óbvio – e evita-se o tédio – na criativa troca de bilhetinhos entre Elias e Ísis sob a porta de seus quartos do hotel, resolvendo o impasse de comunicação diante da mudez da moça.
 
Meu mundo em perigo cresce, assim, pelo acúmulo de seus pequenos e pensados detalhes – como o uso da Polaroid pelo fotógrafo que perde de vista o foco de sua vida; o passado colorido (em super-8) de seu romance com a ex-mulher; as inserções de conversas com personagens reais do hotel; as poderosas cenas com veteranos do calibre de Wolney de Assis (Os matadores) e Helena Ignez, que dão conta em poucas falas de radiografar personagens extremamente dúbios.
 
O filme muitas vezes se arrisca nas ruas de São Paulo, traduzindo a viagem desencontrada de seus personagens, descrevendo a amizade-romance entre Elias e Ísis, e a procura insegura de Fito pelo matador do pai. A história cresce e se dilata na pele destes personagens, que não saem da cabeça quando a sessão termina. O espectador atento de Meu mundo em perigo leva o filme debaixo da pele.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 01/04/2011 - 18h03 - Por Ademar Vi hoje, Neusa. Concordo com cada palavra do que você escreveu. O filme arrebata, emociona mesmo. Acho um absurdo que tenha se passado tanto tempo (mais de 3 anos) para que "Meu mundo em perigo" chegasse às salas de cinema. Mas ainda bem que chegou...
    Um abração
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