Bravura indômita

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Sinopse

Mattie é uma garota de 14 anos, cujo pai foi assassinado. Ela contrata um oficial, Rooster Cogburn, para entrar no território indígena em que o assassino se escondeu, mas exige ir junto. Junta-se a eles um Texas Ranger, que procura o mesmo criminoso pelo assassinato de um senador.


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Crítica Cineweb

12/01/2011

Em seu 15º filme, Ethan e Joel Coen chegam ao seu primeiro faroeste. Pelo sucesso – a maior bilheteria de sua carreira, já ultrapassando os US$ 155 milhões – e as 10 indicações ao Oscar (mesmo sem vencer nenhum), os irmãos diretores, ao que tudo indica, fizeram Os Imperdoáveis dos anos 2000.

O filme de 1992 de Clint Eastwood também foi consagrado, faturou quatro Oscar e ressuscitou um gênero que já foi condenado à morte várias vezes. Mais uma vez, ele ressurge impávido neste belo filme. Um trabalho da maturidade dos diretores.
 
Para quem conhece o Bravura Indômita de 1969, de Henry Hathaway, com John Wayne como protagonista, a história é certamente muito semelhante – mas com diferenças que assinalam a personalidade da nova encarnação. Os Coen voltaram à fonte original, ou seja, o romance de Charles Portis de 1968, e fizeram a sua própria leitura.
 
O trio principal, certamente, está lá – a garota Mattie Ross (a impressionante novata Hailee Steinfeld, indicada ao Oscar), aos 14 anos empenhada na vingança do assassinato do pai; o oficial beberrão Rooster Cogburn (Jeff Bridges, na fila de seu segundo Oscar), que ela contrata para caçar o assassino; e LaBoeuf (Matt Damon), um Texas Ranger também na cola do mesmo criminoso, por causa de uma recompensa.
 
Se a trama que une os três é a mesma, o tom da história não é. Muito menos a maneira como os três atores se apropriam de seus personagens. A maior atualização recai sobre a figura de Mattie, nesta nova versão muito mais dura e realista do que a meiga Kim Darby de 1969. Um detalhe que aproxima mais Hailee de Mattie é que ela realmente tem 14 anos – enquanto Kim era uma moça de 21.
 
Boca-dura, voluntariosa e muito esperta, Hailee tem o maior desafio – encaixar-se num mundo adulto e convencer Cogburn e LaBoeuf de que ela não abre mão de participar pessoalmente da captura de Tom Chaney (Josh Brolin). E ela dá conta espetacularmente bem do recado. A cena em que ela veste as roupas e coloca o chapéu do pai e se põe a caminho do território indígena, onde se esconde Chaney, neste sentido, é emblemática – Mattie realmente está deixando a infância para trás e definitivamente tornando-se adulta. Ela nem sabe ainda o quanto.
 
Na pele do oficial bêbado, rústico e matador, Jeff Bridges dá um show de interpretação. Começando pela dicção incompreensível de matuto, cujo melhor amigo é uma garrafa de uísque. Ele é muito mais rude e convincente do que o heroico John Wayne. Nas cenas de bebedeira, então, nem se fala. É fato que Bridges habita Cogburn, um sujeito endurecido, forjador das próprias leis e que não costuma fazer prisioneiros, só cadáveres. Um papel excepcionalmente rico para o ator, vencedor do Oscar em 2009 por Coração Louco, que não trabalhava com os Coen desde O Grande Lebowski (1998), e se mostra sob medida para o seu destemor como intérprete.
 
Na encarnação sutil de Matt Damon, igualmente o texano LaBoeuf torna-se mais interessante, menos dândi e mais cowboy.
 
Uma outra diferença a favor desta versão é aprofundar mais o contexto. No filme de 1969, apesar de se passar em território indígena, não se vê um índio. Aqui há vários, começando pela cena inicial do enforcamento – em que ao único condenado nativo é negado o direito das últimas palavras. Há outras situações que denotam o tratamento politicamente incorretíssimo destinado aos donos da terra pelos valentões brancos de passagem.
 
Os tipos estranhos que povoam esse tipo de cenário, descritos no livro, aqui entram em cena – como Bear Grit (Ed Corbin), um estranho curandeiro, vestindo pele de urso, que cruza o caminho de Cogburn e Mattie. São detalhes que reforçam a atmosfera, criando verossimilhança.
 
Outra diferença essencial está nas cores do filme. Onde vibrava o technicolor da produção de 1969, aqui predominam os cinzas e azuis, fieis à paisagem invernal – com muita neve à vista.
 
O sucesso das duas versões, separadas por quatro décadas, faz pensar. As plateias de hoje, como as de 1969, curiosamente, respondem ao mesmo tipo de lealdade e compromisso que move o trio principal, por mais que o mundo moderno pareça governado pelas novas formas de comunicação retratadas em A rede social.

Neusa Barbosa


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