VIPs - Histórias reais de um mentiroso

Ficha técnica


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País


Sinopse

Filho de mãe solteira e pai desconhecido, Marcelo Nascimento da Rocha desenvolveu uma imaginação sem limites - e também uma capacidade de imitar os outros e passar-se por outras pessoas. Isso acaba tornando-se seu modo de vida e o caminho para aventuras e a prisão.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/03/2011

Se usasse sua imaginação para a literatura, Marcelo Nascimento da Rocha poderia, quem sabe, ser um criativo escritor. Mas, por diversos caminhos de uma vida que começou como filho de mãe solteira e pai desconhecido, ele acabou utilizando sua fantasia para fazer-se passar por outras pessoas, de sobrinho do dono de uma companhia de ônibus a herdeiro de uma grande empresa aérea, terminando na cadeia.
 
Sua vida, incrível porque verdadeira, inspirou o livro VIPs – Histórias reais de um mentiroso, de Mariana Caltabiano, que serve de base ao roteiro da ficção VIPs, que é assinado por Bráulio Mantovani, no filme dirigido por Toniko Melo e estrelado por Wagner Moura, que venceu quatro prêmios no Festival do Rio 2010: melhor filme, ator (Moura), atriz coadjuvante (Gisele Froes) e ator coadjuvante (o argentino Jorge D’Elia).
 
A própria autora do livro realizou também o documentário VIPs – Histórias reais de um mentiroso, que tem estreia prevista para abril.
 
Um dos atores mais requisitados do País – e já com papel acertado na ficção científica internacional Elysium, do sul-africano Neill Blomkamp (“Distrito 9”), que começa a rodar em julho –, Moura recria o personagem real, sintonizando sua busca de identidade e de uma figura paterna.
 
O ator interpreta Marcelo desde a adolescência, quando o garoto, filho da cabeleireira Sílvia (Gisele Froes), começa a imitar os colegas e professores na escola. Já tem início aí sua inadequação e a rejeição dos outros, que o chamam de “bizarro”.
 
Sem conseguir lidar com essa frustração com tudo e uma certa indiferença da mãe, Marcelo embarca num ônibus – já fingindo ser parente do dono da empresa proprietária.
 
Seguindo o sonho de tornar-se piloto de avião (a suposta profissão do pai ausente), Marcelo torna-se piloto de traficantes que fazem a rota Brasil-Paraguai. Aí, ele adota o nome de Dumont, depois, de Carrera, protegido do chefão argentino (Jorge D’Elia).
 
Depois de uma prisão, em que ele não denuncia ninguém, tem que sair de circulação. Volta para casa com uma boa recompensa em dólares do chefe. E inventa a maior aventura de sua vida: aluga um helicóptero, que ele mesmo pilota, e, acompanhado de dois seguranças, desembarca em pleno Carnaval num hotel de luxo, em Recife, usando o nome de Henrique Constantino, herdeiro da Gol.
 
O episódio, real, é famoso – como Henrique, o farsante deu entrevista no programa de Amaury Jr. (que aparece no filme no próprio papel), o que chamou a atenção da polícia e levou-o a outra prisão.
 
O filme não segue passo a passo a extensa lista de aventuras de Marcelo – que hoje cumpre pena em presídio em Cuiabá -, mas preocupa-se em firmar um perfil em que, por conta da interpretação sutil de Wagner Moura, pode-se enxergar a fragilidade por trás da fanfarronice, mesmo sem explicitamente aprovar sua conduta. 
 
Leia entrevista de Wagner Moura

Neusa Barbosa


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