Não se preocupe, nada vai dar certo

Não se preocupe, nada vai dar certo

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País


Sinopse

Ramon e Lalau são pai e filho, atores e comediantes. Eles viajam numa Kombi pelo interior do país, até o dia em que surge uma nova oportunidade para o rapaz no Rio de Janeiro. Quando ele começa a ganhar dinheiro, seu pai reaparece e um crime acontece.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/08/2011

No conjunto de filmes dirigidos por Hugo Carvana, a figura do malandro tem um papel central, um papel carinhoso, na verdade. Desde sua estreia em 1973, com Vai trabalhar vagabundo, até o mais recente Casa da mãe Joana, o diretor teceu um painel de tipos da sociedade brasileira – especialmente a carioca, incluindo também artistas e boêmios (Bar esperança, 1982). Não é de se surpreender que, em seu mais recente longa, Não se preocupe, nada vai dar certo, os protagonistas sejam uma dupla de atores, pai e filho, que ganham a vida excursionando pelo Brasil, e engordam o salário com pequenos golpes do patriarca.
 
Tarcisio Meira e Gregório Duvivier interpretam essa dupla que, no começo do filme, mambembam pelo nordeste brasileiro, apresentando-se, muitas vezes, em teatros improvisados. Ramon (Meira), o pai, é o irresponsável que coloca o filho, Lalau (Duvivier), em frias. Este, por sua vez, parece ser um comediante de talento, cuja vida está presa aos golpes do pai.
 
Se num primeiro momento, o roteiro de Paulo Halm (Histórias de amor duram apenas 90 minutos) concentra-se na trama cômica e na dependência mútua entre pai e filho, com o tempo, a história se transforma numa trama policialesca, envolvendo corrupção e um crime misterioso. É uma guinada na narrativa que enfraquece o que, até então, não era muito forte, mas se sustentava aos trancos e barrancos graças à química entre Tarcísio e Duvivier. A partir de então, inconsistências e o tom de investigação de novela desviam as atenções.
 
Ainda no nordeste, Lalau conhece Flora (Flávia Alessandra), jornalista e relações públicas que armou um workshop com um famoso guru indiano, no Rio. Quando este é preso, ela contrata o jovem comediante para passar-se pelo sujeito, promovendo um workshop para enganar ricos ávidos por receber lições de como enriquecer ainda mais. Entram também em cena Carol (Ângela Vieira), empresária com aspirações políticas, e seu marido, Rodolfo (Herson Capri).
 
A volta de Tarcísio ao cinema brasileiro, duas décadas depois de “Boca de Ouro” (e uma refilmagem deste nos EUA em meados dos anos de 1990), merecia algo um pouco melhor. O carisma do ator e sua presença na tela, no entanto, não são suficientes para salvar o filme de sua trama mal-resolvida. A dupla que ele faz com Duvivier é ótima, por isso mesmo, eles mereciam uma trama mais à altura de seu talento.
 
Leia entrevista com Tarcísio Meira

Alysson Oliveira


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