Terra firme

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 3 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Uma modesta família de pescadores da Sicília corre o risco de perder seu ganha-pão, além de ser processada, quando decidem ajudar imigrantes africanos que corriam risco de afogar-se - uma atitude humanitária que foi colocada fora da lei.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/10/2013

 O diretor italiano Emmanuele Crialese põe o dedo numa das mais vergonhosas feridas da Europa contemporânea, o cerco, por vezes desumano e usando a violência e legislação repressiva, aos imigrantes ilegais. Um cerco que penaliza igualmente os europeus que se arrisquem a ajudá-los. O recente naufrágio de um barco de imigrantes ilegais vindos da África, perto de Lampedusa (Sicília), com centenas de mortos, evidencia a natureza crônica desta tragédia contemporânea.
 
Na história, uma família modesta de pescadores da ilhota siciliana de Linosa enfrenta as dificuldades da sobrevivência da maneira que pode. A dona da casa, Giulietta (Donatella Finocchiaro), aluga o local para turistas, enquanto ela, o filho Filippo (Filippo Pucillo), o sogro Ernesto (Mimmo Cuticchio) se mudam temporariamente para a garagem.
 
Giulietta sonha em deixar a ilha, levando o filho para estudar e ter novas oportunidades longe dali. Filippo, no entanto, ainda é atraído para o modo de vida tradicional do avô, a quem acompanha em suas pescarias em alto-mar. Uma noite, os dois são surpreendidos pela visão de imigrantes africanos na água, fugindo das patrulhas que os caçam. Uma nova legislação proíbe os italianos de prestar-lhes socorro. Mas contra isso se revolta o velho patriarca do clã, para quem falam mais alto as “leis do mar”. Como deixar morrer afogados seres humanos ? Por isso, ele desobedece e os socorre. Acolhe em sua casa uma jovem etíope (Timnit T) e seu bebê. Como punição, tem o barco, seu ganha-pão, apreendido pela polícia.
 
Neste drama singelo, mas eloquente, algumas imagens parecem tiradas dos noticiários recentes – como quando corpos negros aportam às praias, cheias de turistas, cujas atitudes se dividem entre o espanto, o medo e a solidariedade. O melhor do neorrealismo e do cinema social italiano dos anos 60 e 70 renasce neste terceiro e belo filme de Crialese, autor dos preciosos Respiro e Novo Mundo, um trabalho que dialoga com os franceses Bem-Vindo, de Philippe Lioret, e Le Havre, de Aki Kaurismaki, sobre o mesmo tema da intolerância anti-imigração na Europa atual.
 
 No Festival de Veneza/2011, Terra Firme conquistou o Prêmio do Júri e foi indicado para representar a Itália na disputa de vaga para o Oscar de filme estrangeiro. 
 
Veja repercussão do filme no Festival de Veneza/2011

Neusa Barbosa


Trailer


Comente
Comentários:
  • 14/12/2011 - 09h58 - Por Eron Stein É uma falácia a tese da pura e simples abertura de fronteiras como direito humano. Isso seria o início do caos em qualquer economia. Essas pessoas que permaneçam em seus países e lutem por uma sociedade mais justa. No país alheio não pode!
  • 14/12/2011 - 17h34 - Por Neusa Barbosa Eron:

    respeito sua opinião, mas acredito que o filme não prega essa "pura e simples abertura de fronteiras".

    O que ele prega é uma solidariedade humana mínima; deixar gente desesperada se afogar em massa me parece contra o mais mínimo direito humano. E é isso, em outras palavras, o que acarreta a lei que impede os italianos de darem socorro a imigrantes ilegais cujos barcos naufragam, atitude essa contra a qual os velhos barqueiros se rebelam.

    Ficar nos próprios países pode ser impossível - alguns desses países africanos são um modelo de instabilidade política e econômica. Não podemos pedir às pessoas que moram neles que tentem sobreviver - e a fuga pode ser sua única chance. Quem somos nós para avaliar direito, nós que estamos tão longe?

    Claro que a imigração descontrolada pode criar problemas nos países que a sofrem. Mas esses países, como a Itália, tem mais meios para enfrentar esse problema.

    abs

    Neusa
  • 14/12/2011 - 17h36 - Por Neujsa Barbosa oi, uma frase saiu truncada, aqui vai a correta:

    Não podemos pedir às pessoas que moram neles que deixem de tentar sobreviver


    é isso.

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança