Taxi driver

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 6 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Ex-veterano do Vietnã, Travis Bickle sofre de insônia e arranja um emprego como motorista de táxi. Percorrendo ruas escuras e o submundo de Nova York, ele afunda na dificuldade de comunicação, vendo crescer dentro de si uma raiva em busca de um alvo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/12/2011

A cópia nova e perfeitamente restaurada de Taxi Driver que anda circulando pelo mundo tem permitido ao filme de Martin Scorsese um providencial teste de tempo. Há clássicos de todos os gêneros que não resistem a uma revisão, mostrando-se datados. Taxi Driver, ao contrário, mantém uma pujante resistência.
 
Como todo filme maiúsculo, este é resultado de uma, por que não dizer, perfeita conjunção de talentos: o roteiro pulsante e conciso de Paul Schrader, a atuação cristalina de Robert De Niro, a trilha sonora de Bernard Herrmann – poucas vezes se vê uma música tão intimamente costurada no tecido das imagens quanto esta, valorizando o sentido de cada fotograma, intensificando o clima emocional da fotografia de Michael Chapman, nesta viagem ao inferno dos vivos de Nova York conduzida pelas mãos enérgicas de Martin Scorsese, num de seus melhores trabalhos.
 
A medida do acerto do filme, revisto hoje, numa oportuníssima reprogramação, por uma semana no cine Olido paulistano, está em constituir um contundente retrato de época que dialoga com o presente e não só – remete igualmente àquilo que, na natureza humana, se repete, tantas vezes, contra ela mesma.
 
Encarnando Travis Bickle, um jovem ex-veterano do Vietnã, travado na expressão e com dificuldade de encontrar seu lugar no mundo, seja amoroso ou profissional, De Niro desdobra todas as suas possibilidades como ator. Sua interpretação nuançada e interiorizada potencializa o ponto de explosão de sua criatura. E pensar que a famosa cena ao espelho, em que ele repete “está falando comigo?”, nasceu simplesmente de uma improvisação – o que comprova igualmente o entrosamento perfeito entre o ator e o diretor (que interpreta, igualmente improvisando num curioso jogo com De Niro, um marido alucinado de tocaia para matar a mulher supostamente adúltera com uma potente Magnum).
 
Um dos grandes méritos do filme está em colocar Travis não como herói, nem como bandido. Mesmo destacando seu viés psicótico, a história delineia sua dualidade – ao mesmo tempo que deseja pôr para fora um inquietante desejo de matar, seja contra o candidato político Palantine (Leonard Harris) ou alguns dos integrantes do submundo, esse vingador cego quer salvar uma criança, Iris (Jodie Foster, então com apenas 11 anos), que está sendo explorada como prostituta.
 
A natureza do heroísmo, aliás, é um dos inúmeros temas deste filme belo, doído, poderoso. É sempre tempo de descobri-lo ou revê-lo, ainda mais numa versão impecável como esta. É um dos programas que se pode verdadeiramente chamar de imperdíveis.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança