A música segundo Tom Jobim

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Sinopse

Fazendo uso apenas de gravações de canções do maestro Tom Jobim, esse documentário traça a história da música do artista brasileiro, falando de temas importantes em sua obra, como o Rio de Janeiro e amor. Entre os interpretes estão Elis Regina, Milton Nascimento, Gal Costa e estrelas internacionais, como Frank Sinatra e Judy Garland.


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Crtica Cineweb

17/01/2012

 “A linguagem musical me basta”. Essa é a frase que fecha o documentário A música segundo Tom Jobim. Ela é atribuída ao músico, mas poderia muito bem ser o discurso dos diretores do longa, o veterano Nelson Pereira dos Santos e a estreante Dora Jobim, neta do maestro e diretora de DVDs musicais. Neste filme bastante peculiar, a obra do artista é dissecada por imagens de arquivos – fruto de uma extensa pesquisa da dupla e de Antônio Venâncio, não apenas no acervo do Instituto Tom Jobim, mas nas mais diversas fontes como canais de televisão estrangeiros e até na internet.
 Num filme como esse, a edição é bastante importante. Conta muito a forma como os diretores articulam a sequência de números musicais de intérpretes os mais variados – numa lista que inclui desde Gal Costa e Elizeth Cardoso, passando por Diana Krall cantando em português, o francês Jean Sablon, os norte-americanos Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr. e Frank Sinatra. Por meio da montagem, Nelson e Dora constroem um diálogo de tempo e espaço tendo como unidade a obra compositor.
 Não há explicações, conjeturas ou falatório. É música, música, música. Para o leigo – aquele que aprecia Tom Jobim sem conhecimento profundo de causa –, o longa é prazer para os ouvidos, com direito a muitas descobertas – como a tocante interpretação de Judy Garland para “How Insensitive” (versão em inglês de “Insensatez”), que Dora achou no Youtube. Para os fãs do músico, talvez o filme não traga muitas novidades, mas o prazer reside exatamente na conjugação de sons e imagens, que contam de forma não-cronológica, mas temática, a história de Tom Jobim como músico.
 Uma escolha curiosa da dupla de diretores é não creditar o nome dos intérpretes ao longo do filme, quando aparecem cantando. Funciona bem – até como uma brincadeira de se descobrir quem é quem e também no sentido de não poluir a imagem ou distrair a atenção. Ao final do longa, uma lista com imagens dá conta desses créditos.  
 Nelson Pereira dos Santos que em seu currículo inclui dramas (Vidas Secas, Brasília 18%) e documentários (“Raízes do Brasil”) alia a sua longa experiência, inclusive como diretor de ficção, à sensibilidade de Dora, que chegou a conviver com o avô, morto em 1994.  
 Com sua sensibilidade aguçada, “A música segundo Tom Jobim” é uma viagem sensorial por um universo musical bastante rico. É também uma jornada por nossa cultura e a visão desta pelo mundo afora. “Garota de Ipanema” é uma das músicas mais cantadas no mundo – e no documentário não é diferente, trazendo diversas versões dela, na interpretação de músicos como Errol Garner, Pat Hervey, Marcia e Lio – fora a versão original.
 Tom Jobim levou sua música para os quatro cantos do mundo. O mais interessante é que sua obra, por mais bem-aceita que tenha sido, nunca foi feita pensada na exportação. Seu sucesso fora do Brasil é pura e muito justa conseqüência.

Alysson Oliveira


Trailer


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