Netto Perde Sua Alma

Ficha técnica

  • Nome: Netto Perde Sua Alma
  • Nome Original: Netto Perde Sua Alma
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2001
  • Gênero: Drama
  • Duração: 102 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco:

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País


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

25/02/2003

Embora seu foco seja um oportuno e emocionado encontro entre a literatura e o cinema, este drama dos gaúchos Beto Souza e Tabajara Ruas (também o escritor do romance original) tem os pés bem-plantados na História. Seu protagonista, o general Antonio de Souza Netto (Werner Schünemann), é uma figura real, que encontra no filme uma oportunidade de resgate. Mesmo tendo sido o personagem que proclamou a República Riograndense, emancipando temporariamente o Rio Grande do Sul do Brasil monarquista durante a Guerra dos Farrapos (1835-1845), o general Netto não passa de um quase desconhecido mesmo no sul do País, reduzido a notas de rodapé nos manuais escolares por sua pecha de radical.

Em interpretação empenhada, que valeu o troféu de melhor ator no Festival de Brasília/2001, Werner Schünemann recupera intacta essa energia indomável de seu general, que encontrou seu fim na Guerra do Paraguai (1861-1866). Exilado no Uruguai depois da derrota da Revolução Farroupilha, Netto voltou à frente de batalha e foi ferido. O filme o encontra no Hospital Militar de Corrientes, Argentina, onde, sedado pela morfina, ele finalmente trava o acerto de contas definitivo com os fantasmas e culpas que assombram a sua memória.

Numa madrugada cheia de névoas reais e imaginárias, Netto recebe a visita do sargento Caldeira (Sirmar Antunes), que comandou, sob suas ordens, o Corpo dos Lanceiros Negros, regimento formado por escravos rebelados contra sua condição durante a Revolução Farroupilha. Nessa conversa entremeada de flashbacks, o filme equilibra sua narrativa, encaixando numerosas cenas de batalha às quais não falta ambição - em média, cada uma delas teve em cena 700 pessoas e seus respectivos cavalos, o que bem pode dar uma idéia da logística requerida para as filmagens, nas imediações de Santana do Livramento, um dos principais responsáveis por um custo de verdadeira superprodução, em termos nacionais, alcançando R$ 3,3 milhões.

Apesar de alguns problemas de ritmo e montagem, que comprometem uma narrativa que poderia ser mais clara e límpida, este drama tem o mérito de lançar luz sobre um episódio riscado da historiografia oficial brasileira: a participação dos lanceiros negros na Revolução Farroupilha. Escravos que desafiaram sua posição, estes soldados lutaram bravamente ao lado dos rebeldes gaúchos, que defendiam a implantação de uma federação de repúblicas e o abolicionismo no Brasil. Mas, no final, a maior parte destes combatentes negros foi executada por ordem do então barão de Caxias, depois o duque-patrono do Exército Brasileiro, porque entendia que eles não se conformariam com uma volta pacífica à situação de escravos (já que a escravidão manteve-se até 1888). No que devia estar coberto de razão, embora grite à consciência de qualquer pessoa de bem um genocídio ditado por um pragmatismo tão abominável. Estima-se que apenas na localidade de Porongo, nada menos de 225 destes lanceiros foram executados. Outras execuções teriam ocorrido depois. Estes mortos sem sepultura ou memória já seriam razão suficiente para fazer o filme, que recebeu quatro troféus no Festival de Gramado/2001: montagem, música, prêmio especial do júri e júri popular.

Cineweb-14/6/2002

Neusa Barbosa


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