Cores

Ficha técnica


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País


Sinopse

História de amizade e desilusão entre três jovens amigos em uma grande metrópole. Luca (31) é um tatuador e mora com sua avó. Ele mantém seu estúdio de tatuagem nos fundos da casa em um bairro periférico da cidade. Luiz (29) mora em uma pensão no centro da cidade, faz bicos com sua moto e trabalha em uma drogaria, e Luara (30), sua namorada, é uma garota que reside em um apartamento na frente do aeroporto e deposita todo seu tempo no trabalho em uma loja de peixes ornamentais para espantar a solidão e conseguir financiar uma viagem.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

08/05/2013

Existe uma desconexão perversa entre os personagens de Cores, début na direção de Francisco Garcia e André Gevaerd, e a imagem de um Brasil em processo de amadurecimento e progresso. Luara, Luca e Luiz são jovens adultos, na casa dos 30 anos, que não acompanham o sentimento de esperança, expectativa ou confiança que faz parte do projeto político-econômico nacional. 

Pelo menos é este o panorama dado por Garcia em seu roteiro, escrito com a colaboração de Gabriel Campos. Realizado em preto-e-branco, em contraponto irônico ao título, mostra que estes personagens não possuem qualquer dimensão mais complexa em suas vidas, mas joga ao espectador, que rejeita ou aceita, a identificação do que vê.

Luara (Simone Iliescu) é uma balconista de loja, que flerta com um cliente e se ressente de ser funcionária. Seu namorado, Luiz (Acauã Sol) trabalha como vendedor de uma farmácia, traficando medicamentos restritos. Ambos são amigos de Luca (Pedro di Pietro), um rapaz que vive com sua avó e trabalha (pouco se vê) como tatuador na edícula da casa.  

É fácil subverter aqui a máxima de Albert Einstein, que diz que nada acontece enquanto nada  se move. Jovens que são, Garcia e Campos entendem a inoperância de seus personagens frente ao que os cerca.  Não existe uma aptidão, uma ambição que os tire do lugar. Isso não quer dizer, no senso comum, alienação. Eles percebem a realidade (como o discurso do Lula apresentado), mas não participam dela.

Com exceção a latas de cervejas, maconha, violência e sexo, nada parece se mover na vida dessas pessoas. Mesmo a ideia de Luara para juntar dinheiro e viajar é tão etérea quanto a capacidade de Luiz de sair da pensão condenada pela administração pública, ou Luca de abandonar a casa da avó.

A escolha de Garcia e Campos pelo P&B acentua a frieza da cidade em relação aos seus protagonistas. A trilha sonora incidental, que revela o pouco que resta da personalidade dos personagens, também impõe uma certa tensão sobre a capacidade deles de fazerem algo errado. 

O longa, que fez sua estreia no ano passado no Festival de San Sebastian, parece dizer pouco, mas surte um efeito maior,  mesmo incômodo. Longe de ser comercial, consegue instigar a reflexão sobre um contexto social e, também, a capacidade do cinema nacional de pontuar  a própria sociedade. 

Rodrigo Zavala


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