Morro dos prazeres

Ficha técnica

  • Nome: Morro dos prazeres
  • Nome Original: Morro dos prazeres
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2013
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 90 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Maria Augusta Ramos
  • Elenco:

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País


Sinopse

Ao centro desse documentário, o dia-a-dia de uma comunidade do Rio da Janeiro um ano depois da entrada de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no local. As tensões e interações que existem entre policiais e moradores são registradas pelo filme.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/11/2013

As relações entre a sociedade e a lei são o tema de uma trilogia recente da documentarista Maria Augusta Ramos. Ao lado de Justiça (2004) e Juízo (2007), “Morro dos prazeres” forma um painel que investiga a relação entre a sociedade civil e os agentes da lei. Nos dois primeiros filmes, com a ação confinada a tribunais, ela fazia um retrato da última instância. Aqui, a documentarista leva sua câmera para o Morro dos Prazeres, comunidade no Rio, e observa seu cotidiano um ano depois da instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
 
O longa ganhou três prêmios no Festival de Brasília, em setembro passado: melhor direção (Maria Augusta Ramos), melhor fotografia (Leo Bittencourt e Gui Gonçalves) e melhor som (Felippe Mussel), na competição de documentários.
Acompanhamos os dois lados e a tentativa de uma convivência pacífica. Moradores acostumados às imposições do tráfico agora precisam lidar com a lei institucionalizada dos agentes e seu código, que nem sempre está de acordo com a palavra “pacificadora” presente na sigla.
 
Em sua essência, Morro dos prazeres mostra o fracasso das políticas sociais que visam trazer uma nova realidade para territórios antes governados por traficantes. Há de ambos os lados (agentes e moradores) um sentido de descoberta no trato mútuo – e as vantagens e desvantagens resultantes para os envolvidos.
 
Para a polícia, as UPPs são, entre outras coisas, um marketing positivo, desde que feito com cautela. E para os moradores, qual o tipo de vantagem que há na presença de policias circulando o tempo todo em suas ruas? Teoricamente, há segurança e liberdade – mas, na prática, como mostra o documentário, é diferente. As pessoas da comunidade – especialmente homens e jovens – não raro são tratados como bandidos em potencial. Após liberar dois rapazes de uma revista violenta à noite, na qual não encontraram nada de errado, um dos policiais diz: “Aí vai a semente do mal”.
 
Em alguns momentos, ocorre uma certa adesão do filme a esse espírito vigente, como no enterro de uma policial, quando um superior faz um discurso emocionado e inflado – o que é natural, só não é tão natural assim da forma como o filme o coloca, já perto do final. Em última instância, “Morro dos prazeres”, ao não capturar toda a complexidade da relação entre comunidade e UPP, atesta a limitação do formato e do próprio cinema, que sempre será incapaz de capturar a vida em sua totalidade, suas nuances – por isso, recortes são necessários.

Alysson Oliveira


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