Primeiro dia de um ano qualquer

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Sinopse

No dia do réveillon, numa linda casa da região serrana do Rio, uma mulher recebe os amigos e parentes. Confusões amorosas e conflitos se seguem, no último dia do ano.


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Crítica Cineweb

27/11/2013

Toda vez que bate na tela um filme de Domingos de Oliveira, é como se várias épocas se fundissem, numa história, que é a dele próprio e revisita a Nouvelle Vague, Éric Rohmer, a Bossa Nova e os dias de hoje, com a inteligência e sensibilidade habituais de um cineasta que é um patrimônio vivo da cultura brasileira e já nos deu Amores, Separações, Juventude, para falar de algumas de suas obras maiores.
 
Primeiro Dia de um Ano Qualquer retoma ideias e sentimentos que estão sempre presentes no universo do amoroso Domingos, ou seja, paixões, casamentos, traições e também diferenças sociais, ricos e pobres, a morte, o fim do mundo. O cenário é uma casa lindíssima, na região serrana do Rio, num Ano Novo, em que a anfitriã (Maitê Proença, que assina a direção de arte), mulher madura que tem um amante jovem e saradão (Argus Caruso), recebe amigos. A partir daí, deflagra-se um caos que remete de leve ao Shakespeare de Sonhos de uma Noite de Verão, filtrado pela luz irônica do diretor carioca.
 
Estão aí as duas irmãs (Priscilla Rozenbaum e Dedina Bernadelli) que refletem sobre os próprios casamentos e o pai idoso que não querem ou não podem acolher em sua própria casa; o primo que lamenta que hoje “não se pode ser rico como antigamente”, porque todo mundo suspeita de sua ligação com alguma corrupção; o visitante carente (Orã Figueiredo) que causa um incidente fatal ao casamento da bela empregada (Clarice Falcão); o velho escritor (Domingos) casado com uma mulher jovem que o trai, com sua complacência, com o motorista da casa; e tantos outros personagens que criam um coral polifônico de comportamentos e sensações diante dessa data de início de ano que conjura finais e recomeços.
 
Se é verdade que Domingos mantém sua verve – há vários bons momentos, como a engraçadíssima cena que mostra um vexame do cantor Yan (Ney Matogrosso) num videokê -, também é nítido que várias notas desafinam nesta música de câmera intimista, que forma este filme, como todos os seus outros. Uma das principais é o erro de casting de Maitê Proença – por muito que visivelmente se esforce, ela não tem a descontração, o timing cômico necessário para uma personagem que exerce influência sobre o destino de todas as outras. E aí todo o samba desanda um bocado.

Neusa Barbosa


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