A imagem que falta

Ficha técnica

  • Nome: A imagem que falta
  • Nome Original: L'image manquante
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Camboja
  • Ano de produção: 2013
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 92 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Rithy Panh
  • Elenco:

Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

O diretor cambojano Rithy Panh reconstitui suas dolorosas memórias de infância, quando era prisioneiro de um campo de concentração naquele país, sob o sangrento domínio do Khmer Vermelho.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/02/2014

Tematizar a ausência é um desafio para o cinema, uma arte eminentemente visual. Por isso mesmo, fica mais evidente a façanha do cineasta cambodjano Rithy Pahn no documentário A Imagem que Falta, vencedor do Grand Prix da seção Un Certain Regard no Festival de Cannes 2013 e um dos cinco candidatos ao Oscar de filme estrangeiro em 2014.
 
A exemplo de outras obras suas, como S-21 – A máquina de morte do Khmer Vermelho (2003), Panh voltou a temas recorrentes ao desfiar as memórias de sua infância sob o regime sanguinário do Khmer Vermelho (1975-1979) – que arrastou as populações da cidade para o campo, executando artistas e transformando intelectuais e assim chamados “capitalistas” em trabalhadores do campo, forçados a processos de “reeducação” – que não raro incluíam torturas, espancamentos e choques elétricos, além da fome e da exaustão.

A questão da falta de imagens retratando o horror desse período é resolvida de modo bem criativo por Rithy Pahn – que recorre a artistas para esculpir figuras de argila, reproduzindo as angustiantes situações vividas e vistas pelo cineasta, que perdeu os pais e os quatro irmãos naquele processo e assistiu cenas que não consegue nem quer esquecer. Como a decisão silenciosa de seu pai, professor primário, de abandonar-se à morte, deixando de resistir às insuportáveis condições de vida. Ou de uma garota, que delata a própria mãe aos vigias do campo por ter roubado um pouco de arroz – o que implica na execução da mãe.

Intercalando essas representações com as figuras de argila, Pahn insere trechos dos pouquíssimos documentários que restaram da época, alguns propagandísticos do regime comandado por Pol Pot - um longo pesadelo do qual o país emergiu com um saldo de mortos estimado em torno de 1 a 2,5 milhões, causados pela fome, maus-tratos, trabalhos forçados e execuções sumárias.
Em sua comovente e delicada narração em primeira pessoa, o diretor consegue dar conta da ausência de imagens literais daqueles dias, comprovando a força da palavra para evocá-las na imaginação do espectador – o que convoca uma comunhão humana difícil de igualar, em documentários convencionais. 

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança