Eles voltam

Ficha técnica


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País


Sinopse

Cris e seu irmão são abandonados na estrada pelos pais. Quando ele sai para procurar ajuda, e ela fica sozinha, começa uma jornada de descoberta não apenas de si mesma, mas também do mundo que a cerca.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/02/2014

A produção pernambucana Eles voltam é um filme sobre a jornada de um herói. O fato de esse herói ser uma menina de 12 anos é bastante revelador, ao mesmo tempo complicador, dessa trajetória. Ganhador de diversos prêmios no Festival de Brasília de 2012 – entre eles, o da crítica e de atriz, para Maria Luiza Tavares – o longa escrito e dirigido pelo estreante Marcelo Lordello acontece num vácuo entre o ser e o estar. Dessa investigação pessoal, emergem fraturas sociais de nosso tempo.
 
Os adolescentes Cris (Maria Luiza Tavares) e seu irmão mais velho, Peu (Georgio Kokkosi) são deixados pelos pais na beira de uma estrada, depois de uma discussão entre os garotos. Sem qualquer explicação, a dupla se senta no acostamento e espera, pensando: “Eles voltam. Afinal, sempre voltaram”.
 
Mas dessa vez é diferente. O tempo passa, nada acontece. O celular dos pais não completa a ligação. Carros, bicicletas, carroças passam por eles. Essa primeira parte é um road movie, em que a estrada se move e os personagens ficam estáticos. Lordello, seu filme e sua câmera logo fazem uma opção por Cris – talvez em sua inocência e ingenuidade ela seja mais interessante, um personagem mais rico e revelador.
 
O irmão vai até o posto de gasolina, e ela fica ali, sozinha. Quando parece que o filme se contentará apenas com a garota no acostamento, é que “Eles voltam” começa de verdade. Cris não é passiva, sai andando com um sujeito de bicicleta que promete água, abrigo e ajuda para encontrar os pais. O fato de tocar “Tudo o que você podia ser” já é uma pista – as oportunidades perdidas devem ser resgatadas para o amadurecimento da heroína.
 
Cris é de Recife, da classe alta. Uma elite que tem sido retratada nas produções recentes, e, de certa forma, sintetiza esse mesmo extrato social do Brasil como um todo. A garota não é culpada das mazelas, mas é preciso que sua bolha exploda para que ela possa descobrir o mundo. Em seu caminho, a heroína conviverá com pessoas de classes mais baixas, com experiências até então distantes de seu mundo.
 
Nesse sentido, duas coisas são substanciais: a presença da jovem Maria Luiza e a estrutura do filme colada à personagem. Primeiro, a atriz estreante: seu rosto é a dúvida materializada. Suas poucas palavras são de incerteza e busca. A intérprete injeta densidade a Cris por meio de seu olhar, sua insegurança, o medo diante da descoberta e do amadurecimento inevitáveis. Difícil imaginar o filme com outra pessoa no papel.
 
A personagem é o centro das atenções, e é pelos olhos dela que observamos o mundo. Sua contradição – o que a humaniza muito – está em ver sem compreender. Eles voltam acompanha esse processo de amadurecimento que é a formação de repertório para entender o mundo que a cerca. Lordello busca no diálogo entre Cris e o Outro a dinâmica da sociedade, de um país à procura de si mesmo, no qual fraturas sociais expostas denunciam a diferença e a incapacidade de compreensão, mas também a necessidade de descoberta e simbiose.

Alysson Oliveira


Trailer


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