Mais um ano

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Sinopse

Tom e Gerri são um casal de meia idade de classe média e feliz. Mary, uma amiga deles, no entanto, tem uma vida um tanto diferente: solitária e infeliz, vive em busca de um amor.


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Crítica Cineweb

25/08/2014

Na tradição do cinema inglês, no qual a luta de classes é um tema atualmente caro, Mike Leigh é um dos principais diretores. Na maioria de seus trabalhos, o tema é a luta cotidiana de uma classe trabalhadora sufocada, quase asfixiada. Em Mais um ano – que chega ao Brasil com 4 anos de atraso –, porém, o diretor dá voz à classe média liberal (não no sentido de liberalismo econômico, é bom esclarecer) e esclarecida. Ao mesmo tempo em que, não por acaso, deixa de mostrar “os debaixo”, o fime nos lembra que, para aquela estrutura se sustentar, é preciso que alguém mova as engrenagens.
 
Tom (Jim Broadbent) e Gerri (Ruth Sheen) formam um feliz casal de meia idade que vive juntos há décadas – a coincidência de nomes com o gato e o rato do famoso desenho animado não passa despercebida aliás. E aí está o cerne do filme: felicidade é uma questão de classe? Mary (a genial Lesley Manville) é uma colega de trabalho de Gerri, que vive infeliz, afogada em sua solidão, em busca de um companheiro.
 
Ao contrário de filmes do diretor como Segredos e Mentiras e Vera Drake, aqui, ninguém é pobre – todos são classe média com diploma universitário e emprego estável. A primeira pessoa que aparece na tela é Janet (Imelda Staunton) conversando com uma psicóloga sobre sua insônia. Desesperada e deprimida, ela não quer falar sobre a vida que leva, quer apenas remédios para voltar a dormir. Ela será aconselhada a se tratar com Gerri, que é terapeuta. O filme, a princípio, parece ser sobre Janet, mas logo ela sai de cena e mergulhamos no cotidiano, ao longo de um ano, da vida do casal.
 
Nesse período não há nenhum grande acontecimento que cause uma revolução na vida de qualquer um dos personagens. O destino segue o seu curso normal – crianças nascem, algumas pessoas morrem – e tudo continua. Ao mostrar quase uma banalidade da vida comum, Leigh (como, aliás, sempre fez em seu cinema) fala de questões e existenciais, ao mesmo tempo em que toca nas político-econômicas.
 
Leigh é um mestre em fazer miniaturas dentro das quais cabe o mundo. Aqui, num vasto painel de personagens – que inclui o filho de Tom e Gerri, Joe (Oliver Maltman), e alguns amigos do casal – faz um retrato de uma Inglaterra de algumas décadas depois de Margareth Tatcher, na qual a classe média um tanto estagnada se encerra em si mesma.

Alysson Oliveira


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