Um momento pode mudar tudo

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Sinopse

Kate é uma pianista que começa a sofrer os efeitos da ELA (esclerose lateral amiotrófica). Passando a depender de uma cuidadora, ela contrata Bec, moça que tem vários problemas pessoais. No entanto, as duas se tornam amigas, o que ajuda Kate a enfrentar suas crises.


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Crtica Cineweb

30/03/2015

De um ano para cá, a discussão sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA) teve grande destaque na mídia, para alegria dos portadores da doença e familiares que lutam pela pesquisa de novos tratamentos. Primeiro, foi o incrível – e polêmico – fenômeno do meme do Ice Bucket Challenge em meados de 2014, quando se multiplicaram os vídeos de celebridades que tinham um balde de gelo jogado sobre sua cabeça e desafiavam outras três pessoas a fazerem o mesmo ou doarem US$ 100 para uma ONG que luta pela conscientização sobre a ELA. Geralmente, eles faziam as duas coisas, seja por verdadeira comoção ou por sua imagem pública.
 
O assunto voltou à tona com o lançamento da cinebiografia sobre o físico e cosmólogo Stephen Hawkings, portador da doença há mais de 50 anos, contrariando a baixa expectativa de vida dada pelos médicos. Ainda mais porque, na pele do cientista britânico em A Teoria de Tudo (2014), Eddie Redmayne ganhou o Oscar de melhor ator. Nesta mesma edição, Julianne Moore finalmente recebeu a sua estatueta por sua protagonista diagnosticada com o mal de Alzheimer em Para Sempre Alice (2014), filme dirigido por Richard Glatzer, junto com seu parceiro Wash Westmoreland – este, falecido no último dia 10 de março, justamente por complicações da ELA.
 
Produzido antes desses dois filmes, mas estreando no Brasil somente agora, Um Momento Pode Mudar Tudo (2014) tem o seu foco na relação que se estabelece entre Kate (Hilary Swank), uma designer e pianista clássica diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica, e sua nova cuidadora e compositora frustrada, Bec (Emmy Rossum), que não tem talento nem para exercer a sua função, nem para se encontrar em sua vida amorosa e profissional. Uma amizade inusitada que se fortalece quando o relacionamento da paciente, aparentemente perfeito, com o seu marido Evan (Josh Duhamel) manifesta uma crise.
 
Como já dá para perceber, a produção segue o caminho já trilhado por Intocáveis (2013), com a diferença que o grande sucesso francês apostava num tom de comédia e mais humanidade em seus personagens, enquanto este investe no melodrama. O segundo filme de George C. Wolfe, premiado diretor da Broadway que estreou no cinema com a adaptação de um romance de Nicholas Sparks, Noites de Tormenta (2008), é aquele caso em que o público sabe que será manipulado para chorar, dependendo muito do espírito de cada espectador em querer mergulhar na história e se emocionar com ela ou não.
 
O roteiro assinado por Shana Feste e Jordan Roberts, uma adaptação do livro de Michelle Wildgen, prefere as opções mais fáceis enquanto trama e também no desenvolvimento dos personagens. Neste sentido, as atrizes principais e um elenco, em geral, correto ajudam a tornar esses tipos humanos mais reais.
 
A atuação de Hilary Swank não é digna de prêmio, mas o que ela consegue fazer a partir do material relembra porque a atriz tem duas estatuetas do Oscar em casa – uma por Meninos Não Choram (1999) e a outra por Menina de Ouro (2004). Swank dá vida ao papel não só nos efeitos da progressão da doença, indo da restrição dos movimentos à alteração da respiração e da fala, mas principalmente nos pequenos detalhes da luta da personagem entre a resignação e inconformidade, como nos olhares.
 
Emmy Rossum tem nas mãos um tipo muito parecido, mas não tão desenvolvido quanto sua protagonista na série norte-americana Shameless (2011-). Bec se torna mais interessante quando deixa de ser apenas um estereótipo de garota desajustada, se acalma e mostra porque se comporta assim e como é mais do que isso.
 
Para quem conhece o talento musical da atriz desde O Fantasma da Ópera (2004), entre outros trabalhos, e deve estar se perguntando se ela canta neste filme, pelo perfil de sua personagem, a resposta é sim. Mas Emmy solta sua voz apenas uma vez e na cena conjunta com os créditos finais do filme.

Nayara Reynaud


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