Amor à primeira briga

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Sinopse

Logo após a morte de seu pai, o jovem Arnaud defronta-se com a necessidade de uma série de escolhas para seu futuro - como continuar a empresa do pai ou alistar-se no exército. No centro de recrutamento militar, ele conhece Madeleine, uma jovem totalmente diferente de todas as que ele encontrou antes.


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Crtica Cineweb

01/04/2015

O genérico título do filme em português faz o espectador pensar, pejorativamente, que se trata apenas de mais uma comédia romântica que logo estará em uma sessão vespertina na televisão. Não que Amor à Primeira Briga (2014) não seja uma. Na realidade, é o fato da produção funcionar bem acima da média dentro do seu gênero de origem – sem falar em elementos dispersos de outros –, somado à reflexão sobre a juventude francesa em época de crise econômica e a urgência da necessidade de sobrevivência em tempos de desastres naturais – incluindo aqueles da natureza humana –, que deixa claro que esta não é uma comédia romântica qualquer.
 
Talvez por isso, o longa do estreante Thomas Cailley tenha impressionado tanto o júri e a crítica internacional em Cannes, no ano passado. No total, levou quatro prêmios na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do festival que contou com fortes candidatos na última edição, incluindo o excelente Whiplash (2014). Mesmo que a unanimidade nas premiações principais possa parecer um pouco exagerada, não se pode reduzir o mérito da obra em criar identificação e, simultaneamente, estranheza no público, que a tornam tão interessante.
 
Quanto ao primeiro quesito, o reconhecimento já começa com a apresentação de Arnaud, vivido por Kévin Azaïs, que recebeu o César, o Oscar francês, de ator revelação pelo papel. É um jovem, por volta dos 20 anos, cujo pai acabou de falecer e que agora, junto do irmão (Antoine Laurent), além de ter de decidir qual a melhor maneira de enterrá-lo, ainda deve seguir com a empresa de paisagismo da família Labrède. Em uma França em crise, onde os jovens veem suas perspectivas profissionais diminuírem cada vez mais, o que faz um de seus amigos decidir mudar-se para o Canadá, o rapaz tenta descobrir durante todo o filme o que deseja fazer ou qual é sua função no mundo.
Isso porque lhe surge a opção de ir para o exército, tanto por causa da visita do setor de recrutamento militar a sua cidade quanto pela garota que conhece na ocasião. Aliás, trata-se de um estranho “primeiro encontro”, em que os dois são colocados em uma disputa de defesa pessoal e Arnaud, assustado por estar perdendo de uma mulher, joga baixo e a morde, mas logo se arrepende e começa a se encantar por Madeleine, interpretada por Adèle Haenel. A atriz, que já havia ganhado o César como coadjuvante em Suzanne (2013), no ano passado, levou o prêmio como principal na edição de 2015 por este papel.
 
Muita dessa aparente esquisitice vem dessa protagonista feminina diferente do padrão do gênero, seja o socialmente estabelecido ou o cinematográfico: ela não corre atrás de um amor e sim de seu sonho de entrar no Exército, ou melhor, de sobreviver ao fim dos tempos, que julga estar próximo. Por trás da excentricidade inicial dessa moça que não entende a lógica das baladas, por exemplo, existe uma mulher mais real do que a fachada de garota comum que esconde os estereótipos femininos inatingíveis que se acostumou a ver nas telas.
 
Por isso, apesar das coincidências que o roteiro de Cailley desenha para cruzar os dois novamente, o esforço do delicado Arnaud em tentar derrubar a muralha imposta pela dura Madeleine, além de inverter os papéis de gêneros imaginados pela sociedade – vide a cena da maquiagem de camuflagem –, coloca o espectador junto dele nesta tarefa. A química apresentada entre os personagens culmina em um raro interesse genuíno do público em torcer pelo curioso casal.
 
Fora essa inversão, o jovem cineasta, formado em Ciências Políticas, ainda consegue retratar a desesperança e o anseio desenfreado que assolam a juventude de seu país, não só com Arnaud, mas também através de Madeleine, quando ambos chegam ao curso militar preparatório. Sem falar no momento em que as ideias apocalípticas dela parecem se concretizar e permitem um olhar mais poético sobre o esgotamento dos ecossistemas.
 
No entanto, ainda é na sua visão sincera e paciente sobre o amor que o filme ganha a plateia. Quando os sonhos de sobrevivência da protagonista se tornam realidade, aquela espécie de No Limite e Survivor se torna uma metáfora para o início de qualquer paixão, quando não há mais ninguém no mundo além do casal apaixonado. E, além da presença militar constante na história, o título original do longa, Les Combattants, faz muito mais sentido, já que “os combatentes” em questão não se aplicam apenas a Arnaud e Madeleine, mas a todos os humanos que, na sua busca por autopreservação, combatem a si mesmos, sua própria natureza, seus sentimentos e quem os cerca.

Nayara Reynaud


Trailer


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