Fala sério!

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Sinopse

Três adolescentes, Daia, Mônica e Lê, são amigas inseparáveis que compartilham o mesmo sonho: viver um grande amor. Na ânsia de realizar este sonho, elas acabam tendo de lidar com as dificuldades de crescer rápido demais e viver uma vida adulta cuidando de seus filhos. Estudar, trabalhar, rir e chorar, amar, ser filha e ser mãe são alguns dos desafios que elas enfrentam. Quando os filhos começam a crescer, a falta das experiências da adolescência se manifesta.


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Crtica Cineweb

01/04/2015

Distrito de Porto Seguro (BA) que abriga 11 mil habitantes, a estância turística de Trancoso mais que duplica a sua população durante o verão, recebendo cerca de 12 mil turistas por dia, segundos dados mais atualizados do município. Mas o lugar nem sempre foi ponto de tanta agitação como agora. Esse processo de transformação da então aldeia indígena dos Pataxós, descoberta pelos hippies em 1970, no famoso balneário que recebe hoje celebridades como Matthew McConaughey e Beyoncé, é mostrado no cinema, curiosamente, através das obras do paulista Augusto Sevá.
 
O cineasta campineiro tem 40 anos de carreira, mas apenas quatro longas em sua filmografia, que, à exceção de Real Desejo (1990), é toda dedicada a Trancoso. O primeiro, A Caminho das Índias (1982), mistura documentário e ficção para mostrar a descoberta do local pelos forasteiros no final da década de 70, enxergando o potencial turístico no povoado de estilo colonial de grande beleza natural. Muito depois, já na Retomada, Sevá volta seu olhar novamente para lá em Estórias de Trancoso (2007). Eleito o melhor filme da Mostra de São Paulo, ele se debruça de fato na transformação local, acompanhando as mudanças do balneário entre os anos 1980 e 1990.
 
Com certo atraso – a produção é de 2011 –, chega agora aos cinemas a terceira parte desta espécie de “trilogia de Trancoso”, que, em sua essência, guarda muitas semelhanças com a anterior. Assim como o segundo, Fala Sério! (2015) parte do princípio de criar uma trama a partir das histórias contadas pelos próprios moradores, utilizando-os para encená-las. Aqui, o diretor põe as jovens locais para dar vida ao trio de amigas adolescentes que tem de conviver com as consequências da gravidez na tenra idade.
 
Mônica (Mônica Oliveira) engravida em sua primeira vez com Jonas (Vinícius de Oliveira), que, a princípio, não reconhece a filha dele, fazendo com que ela crie a criança sozinha. Le (Luciana Louvadini) parece ter mais sorte quando seu namorado (Deivid Albuquerque) se casa com ela depois da gravidez, mas logo se percebe que ambos não estão preparados para estes compromissos da vida adulta. Daia (Naiara Carvalho), que se encantou com um recém-chegado ao local (Rainê Santana) e teve um filho com ele, também percebe que o casamento não é o mar de flores que imaginava.
 
Nota-se a ingenuidade das garotas, que logo pode ser associada diretamente à relação de todo povo de Trancoso com quem vem de fora - mas isso seria ignorar que a mesma situação ocorre com adolescentes em todo o país, principalmente nas grandes metrópoles e até nas classes sociais mais abastadas, com meninas, teoricamente, mais esclarecidas. O panorama verdadeiro da gravidez na adolescência, mostrando as dificuldades da criação dos filhos, seja pelos jovens como também por seus pais – para quem sobram muitas das responsabilidades –, e os dilemas de um desejo refreado de curtir a juventude são o principal destaque do filme. Ou seriam.
 
Na realidade, essa intenção não aparece concretizada na tela, em que se apresenta um filme que dilui seu retrato social na estrutura de filmes juvenis que utiliza. Sendo que essa, por sua vez, não é eficiente em seus enquadramentos televisivos e slowmotions que não são bem executados. Augusto Sevá também mistura alguns profissionais convidados, a exemplo de Vinícius de Oliveira – mais conhecido por seu trabalho quando criança em Central do Brasil (1998) –, com os não-atores, mas não consegue extrair o melhor de seu elenco. De qualquer modo, o esforço e a verdade que o trio feminino, em especial de Luciana Louvadini, tenta imprimir são mais encantadores aos olhos do espectador do que de qualquer outro profissional.

Nayara Reynaud


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