Meu verão na Provença

Meu verão na Provença

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Sinopse

Após a separação dos pais, três irmãos vão passar as férias de verão com os avós no campo. Eles nem conheciam o avô, Paul, que há anos está brigado com a mãe deles.


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Crtica Cineweb

01/07/2015

Quando o mistral, vento frio e seco, típico do sul da França, sopra na região, já se sabe que ele traz mudanças, desde o simples despentear dos cabelos até as rápidas alterações de temperatura e clima. Em Meu Verão na Provença (2014), ele não tem nenhum destaque no enredo em si, que apresenta a história do trio de irmãos que passa as férias com o avô com quem não tinha contato, mas nem por isso está à toa no título original do novo longa de Rose Bosch. O nome Avis de Mistral, algo como “Aviso de Mistral”, serve de metáfora para a transformação que a mudança de ares causa aos personagens principais.
 
Uma variação que também se sente dentro da filmografia da própria cineasta. A paixão pela história, transmitida por seu pai, marcou seu trabalho como roteirista, a exemplo de 1492 - A Conquista do Paraíso (1992), épico de Ridley Scott sobre a chegada de Cristóvão Colombo à América, e como diretora, no seu segundo longa – sua estreia na função foi na ficção científica Animal (2005), premiado no Fantasporto, em Porto Alegre –, Amor e Ódio (2010), drama histórico sobre a situação dos judeus franceses, entregues pelo próprio governo aos nazistas durante a II Guerra Mundial. Nesta obra, porém, Bosch busca inspiração na sua própria infância na Provença – ela nasceu em Avignon – para fazer esta comédia dramática.
 
O filme já começa com os irmãos parisienses indo rumo ao sul junto com a avó (Anna Galiena), já que, após a separação dos pais, a mãe deles viaja para o Canadá, onde conseguiu uma ótima oportunidade de trabalho durante o verão. Quando desembarcam, surpreendem o rabugento Paul (Jean Reno, dando a maior credibilidade possível a um personagem “rascunhado”), que, diferente da esposa Irène, nunca teve contato com os netos, pois está brigado com a filha há muitos anos, quando ela saíra de casa. Ainda abalados com o divórcio e o afastamento do pai – Rose sabiamente não se dá ao trabalho de explicar o porquê –, o jovem Adrien (Hugo Dessioux, videoblogger e comediante), a adolescente Léa (Chloé Jouannet, vinda de uma família de atores) e o pequeno Théo (Lukas Pelissier, surdo de nascença assim como seu personagem) têm grandes dificuldades em se adaptar à vida no campo e conviver com o avô, deflagrando o conflito de gerações que marca a história.
 
Só pela sinopse dá para perceber que o enredo não difere muito de alguns filmes que o espectador se flagra assistindo na televisão, em que novas ou interrompidas relações familiares são construídas arduamente – com aquela lição de moral no final, é claro. O roteiro também não tenta afastar-se disso, já que está repleto de clichês. A maioria é utilizada de maneira equivocada ou embaraçosa, como os estereótipos usados no “momento hippie” da película, quando Paul e Irène reencontram seus amigos estradeiros do passado, que chegam de moto em sua propriedade; ou na construção de Magali (Aure Atika) como personagem que acende o desejo dos homens da história.
 
Em contrapartida, apesar de sentimentalista e previsível, a relação entre Paul e Théo é a mais sincera do longa, culminando em uma bela cena, onde a fotografia de Stéphane Le Parc – remetendo ao “caminhar” da câmera característico das obras do Terrence Malick – mostra, sob o ponto de vista do neto, o avô encantado com suas oliveiras. Aliás, o garoto está na abertura do filme, em que a sua viagem de trem ao som de The Sound Of Silence, da dupla Simon & Garfunkel, além de ser uma clara referência ao clássico A Primeira Noite de um Homem (1967) do Mike Nichols, apresenta o personagem de uma maneira muito poética.
 
É uma pena que a promessa inicial não seja cumprida e Meu Verão na Provença entregue algo abaixo das expectativas. O cenário provençal, desde a modernidade da estação em Avignon e o ar pitoresco da vila de Saint-Rémy-de-Provence até os campos de oliveiras e a paisagem de Camarga – algo próximo de um Pantanal francês –, embalado por algumas músicas típicas e muitas anglófonas – em uma clara tentativa de agradar ao público internacional –, e a companhia de um carismático elenco garantem uma sessão agradável. No entanto, os talentos envolvidos e a beleza da região careciam de um esforço cinematográfico mais elaborado.

Nayara Reynaud


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