Já Visto Jamais Visto

Já Visto Jamais Visto

Ficha técnica

  • Nome: Já Visto Jamais Visto
  • Nome Original: Já Visto Jamais Visto
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2013
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 54 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Andrea Tonacci
  • Elenco:

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Sinopse

Novo documentário experimental de Andrea Tonacci (“Serras da Desordem”), no qual ele combina imagens de filmes que não terminou e outras de seu acervo, compondo um questionamento sobre a memória e o tempo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

14/09/2015

No começo dos anos de 1970, o diretor Andrea Tonacci balançou os alicerces do cinema com seu Bang Bang, um filme anárquico, divertido e ácido sobre o estado das coisas e da cultura. Em 2009, novamente, com seu Serras da Desordem, questionou os limites do documentário e da representação, colocando em foco a questão indígena. O longa lhe rendeu diversos prêmios – entre ele melhor filme para a Associação de Críticos de SP, e diretor, no Festival de Gramado – além de discussões e questionamentos sobre os avanços e limitações da linguagem cinematográfica.
 
O novo trabalho do cineasta não é diferente daquilo que tem feito em sua filmografia. Já Visto Jamais Visto é um filme de fragmentações que buscam por um todo. Em parceria com a montadora Cristina Amaral, Tonacci compõe um painel que desafia o tempo e a forma. Valendo-se de filmes e fotografias de seu acervo, o cineasta investiga a passagem dos anos e o processo de amadurecimento – que analisa, então, não apenas como pessoa, mas também como diretor de cinema.
 
São imagens que acumulou durante meio século, delas retirando partes que tentam englobar a experiência do total. Estão na tela não apenas momentos de seus filmes Bang Bang e Blá Blá Blá (1968), mas de outras obras que não finalizou, como Os últimos heróis (1966), At Any Time (1960-1988) e Paixões (1994), além de vídeos caseiros de sua família. Essa construção pela memória resulta em momentos oníricos e na transitoriedade das lembranças. Essas, então, são uma tentativa de aprisionar o passado e impedir o esvaecimento.
 
A fragmentação, típica de nossa pós-modernidade, impede-nos de ver o todo – no filme, seria o fluxo da passagem do tempo, que vem truncado e com lacunas. Cabe ao exercício mental de cada espectador completar os espaços e dar sentido ao que se vê na tela.
 
Num diálogo com um amigo, num set de filmagens, quando parecem discutir sobre uma questão acerta do tempo, Tonacci aconselha,: “Você tem que seguir o seu tempo, quem vai determinar seu tempo na ação, seja você o investigador da história... Siga o seu tempo”. Essas palavras ecoam no presente, na negação da linearidade da narrativa em Já Visto Jamais Visto, que segue um fluxo de consciência modernista, pautado pela memória.

Alysson Oliveira


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