Hotel Transilvânia 2

Hotel Transilvânia 2

Ficha técnica

  • Nome: Hotel Transilvânia 2
  • Nome Original: Hotel Transylvania 2
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2015
  • Gênero: Animação
  • Duração: 89 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Genndy Tartakovsky
  • Elenco:

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País


Sinopse

Depois do casamento de sua filha Mavis com um humano, Jonathan, o conde Drácula aparentemente sossega e aceita as diferenças. Quando nasce seu netinho, no entanto, o velho vampiro se preocupa porque o menino aparentemente não puxou nenhuma das características do seu lado da família. Quando os pais viajam, vovô tentará despertar o lado monstrinho do neto.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/09/2015

Pensando apenas no conceito de Hotel Transilvânia (2012), não em sua temática gótica, cujas figuras vampirescas e monstruosas servem como fachada e, igualmente, metáfora do comportamento humano quanto ao que lhe é estranho, pode-se observar a evolução que ocorre neste sentido na sequência daquela animação, Hotel Transilvânia 2. Se o primeiro apontava para a necessidade de aproximação em um cenário de total segregação e intolerância, esta continuação vai um passo à frente ao apresentar um ambiente no qual o preconceito incrustrado na sociedade, velado nas ações e pensamentos dos indivíduos, ainda atrapalha a tarefa de aceitação, muitas vezes superficial.
 
Um olhar para os outros aspectos deste novo filme, no entanto, revelam seus tropeços, mesmo que graciosos e irrelevantes para um entretenimento familiar, que o colocam no mesmo patamar técnico de seu antecessor. Dirigido novamente pelo russo Genndy Tartakovsky, o enredo mais uma vez não desenvolve seus personagens dentro de seus potenciais e segue um caminho já conhecido em sua trama - felizmente, diferente do que a franquia já explorou no primeiro.
 
Três anos atrás, o público foi apresentado ao empreendimento hoteleiro na famosa região romena, que foi criado por Conde Drácula (voz de Adam Sandler no original e Alexandre Moreno na versão brasileira) para proteger sua filha Mavis (Selena Gomez/Fernanda Baronne) e todos os monstros da maldade humana, que vitimara sua esposa – algo que afeta suas ações nas duas histórias. No entanto, a chegada de um desavisado mochileiro, Jonathan (Andy Samberg/Mckeidy Lisita) pôs o zeloso pai em pânico e alterou a vida da família de vampiros e de seus hóspedes. O segundo longa dá sequência aos acontecimentos, dedicando sua introdução para mostrar o casamento de Mavis e Jonathan e o nascimento do filho do casal.
 
A questão é que, apesar de ter aceitado os antigos inimigos, seja como parentes ou clientes, Drácula teme que seu amado neto Dennis (Asher Blinkoff), que tem em suas veias tanto o sangue humano quanto o de vampiro, não puxe a sua descendência, já que nenhuma presa apareceu em sua boca em seus primeiros anos de vida. Por isso, enquanto o genro está com sua filha na Califórnia, conhecendo novidades do “mundo exterior”, o avô tenta despertar o lado monstruoso no menino, com a ajuda de seus amigos Frankenstein (Kevin James), o lobisomem Wayne (Steve Buscemi), o homem invisível Griffin (David Spade) e a múmia Murray (Keegan-Michael Key substituindo o cantor CeeLo Green, que trabalhou no antecessor), antes que seja tarde demais.
 
O roteiro de Tartakovsky e Robert Smigel, antigo redator do Saturday Night Live (1975-), não inclui grandes reviravoltas a partir desta premissa e usa uma sequência quase ininterrupta de situações cômicas que servem para preencher o tempo e não deixar o filme perder o ritmo. O humor pastelão, que tem na participação de Mel Brooks como o temido bisavô Vlad uma homenagem, encontra vazão na direção do russo, criador dos desenhos animados O Laboratório de Dexter (1996-2003) e Samurai Jack (2001-2004), sendo premiado por este e por Star Wars: Clone Wars (2003-2005), e diretor de As Meninas Super-Poderosas (1998-2005).
 
Por isso, a vivacidade das cores e o brilho frente aos tons sombrios óbvios da temática, já que a produção sempre priorizou o riso ao invés do susto, e a elasticidade dos personagens, especialmente em suas expressões, destacam-se entre os aspectos técnicos da equipe de animação de Genndy. Quanto ao 3D, ele é mais sentido em algumas sequências, especialmente as de voo, mas não é imprescindível. Quanto ao elenco, como foi exibida uma cópia dublada na sessão para a imprensa, não foi possível saber se as vozes originais de Sandler e sua trupe podem ter contribuído para extrair comicidade ou resultaram em algo acima do tom, mas pode-se dizer que a versão brasileira encontra seu equilíbrio.
 
Contudo, é importante notar o quanto o filme tenta agradar aos adultos, talvez esforçando-se mais nesse sentido do que para atingir seu público-alvo. A bem da verdade, desde o início, Hotel Transilvânia sempre se voltou mais aos pré-adolescentes do que necessariamente às crianças. Mas a continuação tem, na figura universalmente carismática do ruivinho Dennis, o principal chamariz para a plateia infantil. De qualquer modo, as referências juvenis ou mais maduras são constantes, na presença da girl band Fifth Harmony na trilha e na forte relação das redes sociais na narrativa, bem como citações de livros e piadas com o Fantasma da Ópera, por exemplo.
 
Mais do que isso, é uma animação que aposta na abordagem de questões familiares ou do cotidiano da vida adulta. A superproteção dos pais, já mostrada no filme de 2012 com o pai Drácula, é aproximada da realidade, agora, com a jovem mãe Mavis. Muito da comédia do longa decorre da percepção do Conde e seus amigos sobre os novos tempos, com humanos já não se assustando mais com suas figuras antes horrendas, e eles mesmos “enferrujados” com a chegada da idade e o mundo vampiresco se tornando “careta”.
 
A produção da Sony Animations pode não ter o primor e a complexidade de um Divertida Mente ou o apelo fácil de Minions, para ficar só entre as maiores bilheterias de 2015 do gênero. Mas Hotel Transilvânia 2 tem o potencial para atingir bons resultados comerciais e de satisfação entre o público, pois, além de trazer uma diversão garantida, entrega para as crianças uma moral sobre respeitar as diferenças, até em si mesmo, que foge da pieguice. Por fim, ainda faz os jovens e pais refletirem sobre o preconceito, algo mais assustador do que qualquer vampiro ou outra criatura, que continua aterrorizando a sociedade e transformando indivíduos em monstros.

Nayara Reynaud


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Comentários:
  • 21/06/2016 - 13h15 - Por pia Você não pode negar que é simples, mas muito divertido. Em suma, o filme, que ultrapassa de longe o seu antecessor (quero compartilhar com vocês nos próximos tempos de lançamento: http://www.hbomax.tv/sinopsis.aspx?prog=TTL600927), fornecer ao público entretenimento e diversão em festas mesma, ao ensinar-nos uma lição: não importa de onde você vem, ou por que você é diferente. O que realmente importa é saber como aceitar os outros como eles são, sem querer impor o nosso modo de vida. A lição que muitas pessoas ainda não foram aprendidas para realizar na vida cotidiana.
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