Beira-mar

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Sinopse

Durante o inverno, dois jovens viajam ao litoral gaúcho. Martin precisa visitar parentes, em busca de um documento para seu pai. Tomaz aceita acompanhá-lo nessa jornada, aproveitando a oportunidade para se reaproximar do amigo.


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Crtica Cineweb

04/11/2015

O aumento da produção de filmes adolescentes no cinema nacional, observado recentemente no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, deverá render uma lista de lançamentos do gênero nos próximos meses. O primeiro deles é Beira-Mar (2015), longa de estreia de Filipe Matzenbacher e Marcio Reolon, apresentado em Berlim e outros festivais europeus, que segue a cartilha da autodescoberta característica desta fase da vida, especialmente na questão da sexualidade. É marcado, porém, por um forte traço de melancolia, inspirado pelo cenário cinzento de uma praia gaúcha no inverno e a introspecção comum ao cinema jovem sulista.
 
A dupla de diretores, que também assina o roteiro, enfrenta a dificuldade de migrar do universo dos curtas para a dimensão dos longas, com uma trama que se encaixaria perfeitamente dentro de uma produção de 20, 30 minutos. Como solução, investem na ambientação climática, preferindo os silêncios, ações cotidianas e pequenas conversas do que os grandes diálogos, ora acertando, ora derrapando na escolha.
 
A trama demora para se revelar, o que pode afastar algum espectador, mais afoito. Contudo, os jovens cineastas sabem jogar com a expectativa do público em torno da razão da tal viagem que Martin (Mateus Almada) faz ao litoral, a pedido do pai, acompanhado pelo amigo de infância, Tomaz (Mauricio José Barcellos). Leva algum tempo até o garoto, que deve estar por volta de seus 18 anos, tentar buscar o tão falado “documento” e redescobrir parentes (ou algo perto disso) com quem não tinha contato há muito tempo.
 
Por outro lado, a temática GLBT que permeia o filme nunca é uma surpresa, apesar das sutilezas de um dos protagonistas, pois há as analogias visuais escancaradas, a exemplo da cena do videogame. Entretanto, só eclode em um terceiro ato apressado narrativamente. Entre as duas pontas, têm-se à disposição longas cenas de uma festa na casa da praia, com a presença da amiga Natalia (Elisa Brites), do namorado Bento (Fernando Hart) e de outras duas garotas (Maitê Felistoffa e Danutta Zaguetto), cuja participação poderia ser reduzida em favor da subtrama bem mais interessante da família de Martin, capitaneada por Irene Brietzke, de Saneamento Básico, O Filme (20), na pele da nova mulher, agora viúva de seu avô.
 
Ainda sim, o filme impressiona por sua realização técnica, especialmente na fotografia de João Gabriel de Queiroz, captando o isolamento e autodescoberta em planos muito próximos, geralmente, com fundos desfocados e uma melancólica paleta de cores. Matzenbacher e Reolon apresentam um forte trabalho de estreia. Só se espera que, em um próximo, a voz deles como cineastas se faça mais marcante para segurar um longa em toda a sua intensidade.

Nayara Reynaud


Trailer


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